Financiamento coletivo no Brasil – Blog do Catarse

Dicas de Campanha / Geral

Atingir a meta não é o fim da campanha! O que são e como usar as metas estendidas

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Estipular o valor da meta de arrecadação é uma das decisões mais sensíveis de um realizador de projetos no Catarse. O modelo do “tudo ou nada” força você a estabelecer o mínimo necessário para executar a ideia e não correr o risco de perder todo o esforço da campanha caso a meta não seja atingida. Por outro lado, um objetivo de arrecadação muito baixo, além de reduzir a qualidade do resultado final do projeto, não estimula que as pessoas continuem a colaborar depois que a meta oficial foi alcançada. Um das formas de lidar com essa questão é o que chamamos de metas estendidas.

A estratégia é simples: o realizador comunica na página do projeto como ele pode melhorar a execução da ideia se atingir um ou mais valores além da meta oficial estabelecida para a campanha no Catarse. Cada um representa uma meta extra, que, se batida, será o suficiente para garantir, por exemplo, desde uma melhoria na produção do projeto inicial até a inclusão de novas recompensas. Essas “novas metas” em nada alteram a meta estabelecida desde o início da campanha, a única reconhecida pelo sistema da plataforma. Todas essas novas metas são um compromisso que o realizador estabelece com o seu público.

No fundo, é um conceito conhecido no marketing como Gameficação ou Ludificação. Ao trazer elemento originários dos jogos de video-game para a campanha, os realizadores integram os apoiadores e fazem com que eles realmente “joguem junto”. Cada conquista é comemorada coletivamente, e cada nova meta extra a ser batida é encarada como uma nova fase do jogo que só pode ser desbloqueada se ganharem a anterior. Não é por coincidência que os projetos que melhor usaram as metas estendias até agora são os da categoria Jogos ;)

Não existe uma regra para as metas extras. Elas podem ser todas anunciadas em qualquer momento da campanha, mas recomendamos deixá-las claras desde o começo para que todos os apoiadores tomem conhecimento delas o quanto antes. Outra sugestão é pensar em metas que beneficiem todos os apoiadores, e não somente um grupo que contribuiu a partir de determinado valor.

As metas estendidas funcionam melhor quando ficam destacadas na página do projeto. Esse destaque pode vir com uma arte gráfica bem feita. Um bom exemplo é do jogo de piratas Butim.

Para deixar tudo mais claro, separamos aqui alguns exemplos de projetos que souberam utilizar as metas extras para alavancar sua arrecadação e deixar suas campanhas aquecidas e empolgantes até final.

Runicards

O caso mais emblemático é do jogo de cartas Runicards. Através de diversas metas estendidas, ele conseguiu ultrapassar a arrecadação inicialmente estabelecida em mais de 500% (!), ultrapassando até mesmo a última meta extra que era de R$ 58 mil. Os estímulos? Cada nova meta batida adicionava itens que melhoravam a experiência do jogador, de novas cartas até um tabuleiro reforçado e com design sofisticado.

O Rovalde, realizador do projeto, aprendeu tão bem a lição que usou as metas estendidas também em seu novo projeto, o jogo A Última Fortaleza. O detalhe que ele só bateu a meta inicial faltando dois dias para o final da campanha, mas mesmo assim conseguiu em 48 horas elevar a arrecadação de R$ 44 mil para mais de R$ 76 mil, sendo que R$ 2 mil foram doados literalmente no último minuto do projeto no ar, apenas para liberar uma recompensa extra.

Shogum dos Mortos

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Junto da galera de Jogos, quem se dá muito bem no uso das metas estendidas é a categoria de Quadrinhos. Um dos motivos é que a publicação de uma mesma história pode variar muito o seu custo final dependendo de alguns detalhes como o tipo do papel escolhido, sua gramatura, se a impressão vai ser colorida ou não e as dimensões da revista. Por isso, os quadrinistas costumam iniciar suas campanhas com um projeto graficamente mais barato e que vai melhorando a cada nova meta batida.

Aqui também vale brincar com o fato das maiorias dos fãs de quadrinhos serem colecionadores em potencial. Uma boa dica é o “desbloqueio” de uma outra revista como brinde. Pode ser desde um trabalho anterior do mesmo autor até uma expansão da história principal. Quem mandou muito bem foi Daniel Werneck, do Shogum dos Mortos, por exemplo. As metas extras liberaram até mesmo um jogo de RPG baseado na HQ! Com essa e outras, ele conseguiu ultrapassar a arrecadação mínima em mais de 300%!

Mas também vale olhar outros exemplos da categoria, como os Combo Rangers do Fábio Yabu,  os projetos do pessoal do Libre Coletivo, Ícones dos Quadrinhos, entre tantos outros projetos. Vale um passeio pela categoria, para pegar essa e outras dicas.

Expedição Liberdade

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Um projeto que usou a estratégia de metas estendidas todo trabalhado na ousadia. O Larusso do Estaleiro Liberdade recebeu a oportunidade de fazer um curso na Schumacher College, um escola na Inglaterra referência mundial  na educação inovadora. A partir dessa viajem, resolveu que ia fazer junto de um amigo sociólogo uma jornada por alguma das principais escolas europeias, para aprender novas práticas educacionais.

Ao lançar o projeto, eles foram bem claros: fariam a viajem de qualquer jeito, e não dependeriam da grana do financiamento coletivo para isso. O objetivo da campanha era financiar o compartilhamento do aprendizado. Por isso, eles começaram a campanha com a meta simbólica de R$ 100. Quanto mais eles conseguissem arrecadar, mais poderiam investir na produção do conteúdo. Por exemplo, se conseguissem arrecadar R$ 1.500, produziriam um minidocumentário sobre a jornada. Se fossem além e conseguissem R$ 3 mil, realizariam encontros abertos para debater tudo que aprenderam.

O resultado foi que eles arrecadaram mais de R$ 9 mil. Grana suficiente para financiar uma série de posts, infográficos, o minidocumentário e sete encontros abertos. Vale muito a pena um passeio pelo projeto.

Mais do que uma forma de arrecadar mais e com segurança, as metas estendidas são uma forma de trazer à tona um dos aspectos mais legais de uma campanha de financiamento coletivo. Ela faz com que um projeto não tenha consumidores ou um público passivo, mas sim incentivadores e um público que torce e constrói junto. Ela evidencia um modelo no qual todos ganham: o realizador com mais divulgação para o projeto e o apoiador que vai receber mais ou melhores recompensas se a meta extra for batida.

Se quer sentir na pele a emoção de uma campanha com metas estendidas, recomendo os financiamentos coletivos dos jogos Yggdrassil e Nosferatu. O jogo de cartas Pequenas Igrejas Grandes Negócios também, esse inclusive já bateu a sua meta inicial e agora tá liberando novas metas extras. Vale a pena conferir!

Esse post é só o principio de um diálogo e não a conclusão de um pensamento. Muiiiiitos exemplos de bom uso de metas estendidas aqui no Catarse tiveram de ficar de fora. E o papo sobre gamificação e financiamento coletivo ainda tem muito o que render. Por isso, se tiver qualquer dúvida ou um exemplo que queira compartilhar, não se acanhe, deixa ai um comentário que a gente continua o papo ;)

 

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Nós juntamos uma série dessas dicas e sugestões em um vídeo, apresentado pela Lu Masini, da nossa equipe de Sucesso do Realizador. Nele você vai entender o que é a meta mínima de sua campanha de financiamento coletivo, o que faz dela uma meta realista e também os custos básicos que você precisa inserir em seu orçamento.