Financiamento coletivo no Brasil – Blog do Catarse

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Tudo o que o FIQ 2013 ensinou sobre financiamento coletivo e quadrinhos

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Na semana passada, estivemos no Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte, para ver de perto o lançamento de ao menos 15 projetos viabilizados através do Catarse, aprender como o sucesso da categoria pode ajudar na evolução da plataforma e levar essa nova possibilidade de produção aos autores presentes no evento.

Na quinta-feira (14/11), participamos da mesa Webfunding e CrowdComics, representados por Luis Otávio Ribeiro e Rodrigo Maia, junto com o Fábio Coala, autor do O Monstro, e Paulo Crumbim, do Gnut e mediados pelo Ricardo Tokumoto (Ryot), do Ryotiras Omnibus.

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Fábio Coala, Paulo Crumbim, Luis Otávio Ribeiro e Rodrigo Maia participam da mesa Webfunding Crowdcomics no FIQ 2013

O Coala contou um pouco como atingiu a meta em apenas 20 horas de campanha com mais de 900 apoiadores e porque limitou as recompensas para não receber mais contribuições. “A parte difícil é cumprir suas promessas. Aquilo era o máximo que eu ia conseguir fazer”. Crumbim lembrou como planejou minuciosamente sua campanha, destacou a importância do autor entender bem o que está propondo e como o Catarse o ajudou a envolver mais as pessoas na história fornecendo a estrutura para amarrar o processo colaborativo. Luis e Rodrigo colocaram o ponto de vista da plataforma em diversos assuntos, deram dicas de campanhas e responderam questões da plateia, como uma possível concorrência com as editoras. Você pode ouvir a conversa completa abaixo.

Na sexta-feira (15/11), demos uma concorrida oficina de financiamento coletivo para quadrinhos. Mostramos os números da categoria, exemplos de projetos de sucesso, dicas e práticas de campanha. Abaixo, está a apresentação que fizemos na íntegra.

 

Ao longo dos dias, conversamos com apoiadores e realizadores dos mais 20 projetos presentes no evento para entender melhor suas críticas, expectativas e desejos em relação à plataforma. Ficou ainda mais claro pra nós a necessidade de darmos mais ferramentas de comunicação entre apoiador e realizador e para os apoiadores entre si, como mecanismos de recomendação que ajudem a identificar bons realizadores e facilitem as pessoas a encontrarem projetos que lhe interessem.

Esses recursos vão fortalecer a comunidade de apoiadores de quadrinhos em formação na plataforma. Um indício do surgimento dessa rede está no relato dos realizadores sobre as campanhas: a maior parte dos apoiadores dos seus projetos não os conheciam. Isso se comprova em números. Enquanto na plataforma como um todo, apenas 15% dos usuários apoiou mais de um projeto, na categoria de quadrinhos esse número passa para 20%.

Luis e Ana recalde no FIq

Luis Otávio Ribeiro e Ana Recalde, realizadora do Petisco e apoiadora em série de projetos de quadrinhos mostram alguns lançamentos do FIQ financiados via Catarse

“Eu não vou mais à livraria. Pago o cartão e entro no Catarse para ver qual livro novo vou comprar”, disse Ana Recalde, apoiadora serial de quadrinhos e uma das realizadoras do projeto Petisco. O pessoal desse site de webcomics com diversas séries de quadrinhos semanais e gratuitas já esteve envolvido com três projetos (Petisco, Terapia e São Paulo dos Mortos) no Catarse e planeja lançar mais dois em breve. “O financiamento coletivo é uma solução para uma falha no mercado de quadrinhos brasileiro. As gráficas cobram muito caro para imprimir sob demanda. Com uma campanha no Catarse, a gente consegue cobrir os custos de impressão de uma tiragem mínima”, afirma Cadu Simões, também do Petisco.

E pelo que vimos, não é só o Petisco que pensa em fazer uma nova campanha. O Mathias Maxx, da Tarja Preta, já considera fazer um volume dois com as edições 4,5 e 6 da revista underground. O Felipe Cagno, do Lost Kids, também já está com outra ideia. E dessa vez, em vez de falar com uma editora primeiro, vai direto pro Catarse. “Meu sonho é fazer disso um mercado do qual eu possa viver”, resume Diego Sanches, do QUAD. Obrigado ao pessoal dos quadrinhos por nos mostrar que é possível alcançarmos nossa meta monstro para o longuíssimo prazo: ser a primeira opção para viabilizar ideias criativas no Brasil

Abaixo, destacamos algumas conversas que tivemos com os realizadores de projetos no FIQ e que podem servir como exemplo para outras campanhas.

André Alonso, Egum: “O financiamento coletivo quebra barreiras”

Egum foi meu primeiro quadrinho. Sou grato ao Catarse por ter me dado a oportunidade de mostrar meu trabalho e entrar no mercado. A plataforma te permite quebrar barreiras. Estudei muito outras campanhas de financiamento coletivo de quadrinhos e a lição de casa já estava no Catarse. Falei com autores de projetos de sucesso, de outros que não atingiram a meta e pesquisei campanhas parecidas em outras plataformas de financiamento coletivo. Fui atrás de realizadores de iniciativas de quadrinhos que estavam em captação ao mesmo tempo. Tinha a impressão de que concorreria com os outros projetos pelos mesmos apoiadores: Era uma ilusão. Se unir é o que dá mais certo. Um divulga o outro pra suas redes e faz crescer a comunidade. Antes da campanha, tentei fazer o livro com uma editora. Hoje, reconheço que o material que entreguei não estava bom. Para fazer uma campanha de financiamento coletivo, percebi que não apenas precisava apresentar um material melhor, mas que precisaria mudar o foco da comunicação. Em vez de mostrar o que vende, tinha que mostrar exatamente o que queria fazer e que eu era capaz de executar o projeto. Apoiar alguém com o próprio dinheiro é a maior aprovação que se pode ter.

André Caliman, Revolta: “Não faria outra sozinho”

Não faria uma campanha sozinho novamente. É muito trabalhoso. O Catarse não faz milagre. Ele fornece uma plataforma bacana e faz a gente se movimentar para tocar o projeto. Eu tive que ajudar algumas pessoas não acostumadas a fazer operações financeiras online. Fui atrás de pessoas que tinham contribuído com outras campanhas de quadrinhos para mostrar o projeto. Além disso, a festa da campanha foi essencial e ajudou muito na arrecadação de recursos. Eventos presenciais são uma boa estratégia. No meio da campanha, participei de uma oficina pra montar um modelo de negócios. O pessoal pegou o meu projeto para usar como exemplo. Ao longo do processo, percebi que o sistema do Catarse me ajudou a estruturar o modelo de negócio e a montar minha campanha.

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André Freitas, Ozman Nêmesis: doação de sangue como recompensa

Foi bem pauleira, mas adorei. Fiz sozinho o planejamento, produção e execução da campanha, enquanto trabalhava. Com uma história de vampiros e lobisomens, a maior recompensa do projeto era a de R$300 em que eu prometia doar o próprio sangue. A minha mãe fez a contribuição e exigiu que eu fizesse a doação. Ainda não doei porque acabei de fazer uma tatuagem, mas ano que vem já está certo.

Cadu Simôes, Petisco: forme sua rede

A experiência das duas campanhas anteriores ajudou na captação do terapia. Começamos a campanha antes mesmo da página no Catarse entrar no ar. Por mais que você leia bastante sobre o financiamento coletivo, na prática se aprende muito. Além disso, já conseguimos formar uma comunidade no entorno do nosso trabalho. Ao menos cem pessoas contribuíram com os três projetos.

Eduardo Schaal, QUAD: estabeleça e comemore marcos

A campanha não anda sozinha. Você tem que fomentá-la. Estabelecer e comemorar marcos. Sentimos a força disso quando lançamos o sketchbook. Sabíamos que o projeto ganharia força quando lançássemos a capa, porque os apoiadores viriam algo de concreto livro. Batemos a meta quatro dias depois de anunciarmos a capa numa novidade no Catarse. O livro estava pronto. Fizemos uma campanha bem feita, simples e sem recompensas mirabolantes.

Mathias Maxx, Tarja Preta: like não é apoio

Foi emocionante. No começo, fiquei receoso, porque os projetos de quadrinhos da plataforma eram diferentes da Tarja Preta. Tivemos uma ótima recepção e um retorno enorme da campanha. O Marcelo D2 divulgou o projeto. Tivemos uns 5.000 likes, mas poucos apoios vieram dessa divulgação específica.