Financiamento coletivo no Brasil – Blog do Catarse

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Catarse na Campus Party

Até domingo rola no Parque de Exposições do Anhembi,em São Paulo, a Campus Party, de longe o maior evento de tecnologia do Brasil. Antes um lugar mais relacionado ao universo dos geeks de terras tupiniquins, o evento é hoje um espaço heterogêneo.

Além da feira e do mega espaço disponível para uma conexão de internet super veloz (alguém comentou comigo que durante uma palestra conseguiu baixar todos os seis episódios de Star Wars), conta com debates e apresentações em palcos que têm temas que vão desde robótica e astronomia, passando por cultura digital e música até, mais recentemente, o empreendedorismo.

E foi no palco Campus Empreendedorismo que o Catarse participou nesta terça do debate “‘Cow-funding’, a vaquinha reload”, dedicado a discutir como caminhou o crowdfunding no Brasil neste último ano.

A mesa foi mediada pela Marina Miranda (Mutopo Brasil) e teve as participações do Rafael Zatti, Paulo Alvim (Sebrae), Pedro Markun (Transparência Hacker) e desse que vos fala, conforme na foto abaixo.

campus party catarse

Abri a discussão com uma breve apresentação sobre o que é crowdfunding. Foi bacana notar que a maioria das pessoas já conheciam o modelo, ou seja, foram ali não para conhecer algo novo, mas para se aprofundar. 

O Rafa Zatti trouxe dados bacanas de uma pesquisa que ele fez em 2011 sobre as razões para uma pessoa apoiar um projeto que busca financiamento pela multidão. Uma das informações interessantes é que a recompensa não é vista como prioridade para os apoiadores. A grande motivação para uma contribuição é acreditar na causa do projeto. Os entrevistados disseram que apoiariam as iniciativas mesmo se não houvesse recompensas.

O único na mesa com experiência como realizador de um projeto, Pedro Markun, uma das pessoas a frente do Ônibus Hacker, segundo maior projeto financiado no Catarse, ditou grande parte da conversa ressaltando tanto a beleza como as dificuldades do modelo.

Para ele, o financiamento colaborativo não é a solução ideal para qualquer tipo de projeto, mas talvez seja a melhor quando você quer buscar agilidade no processo, uma rede previamente articulada e a coletividade – envolver pessoas em uma causa e ter um projeto que não seja só seu, mas de todo mundo que colaborar.

Lembrou também que a comunicação durante a campanha é algo que precisa ser trabalhado com afinco, pontuando até que, de longe, o crowdfunding não é a forma mais fácil de se financiar um projeto, mas pode ser a mais prazerosa.

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Como representante do Sebrae, o Paulo Alvim trouxe um discurso mais cauteloso, já que o crowdfunding é um mercado novo e (ainda) pequeno, e as partes envolvidas (plataformas, apoiadores e realizadores) têm que prestar atenção às questões legais e fiscais. Ele, todavia, deixou as portas abertas para uma aproximação ao Sebrae, que pode ajudar nos primeiros passos dos empreendedores.

Penso que o ponto-chave do debate foram as consideração finais do Markun. Ele perguntou quem da plateia já havia contribuído com um projeto em alguma plataforma. Poucas pessoas levantaram a mão. A sugestão dele, então, foi algo na linha de: se você quiser saber realmente o que é crowdfunding, vai lá e apoie um projeto. Disse também que é algo viciante e que não tem sensação igual a de poder dar R$10 e fazer parte de uma causa que você curte.

Que tal seguir a recomendação dele?

Diego Reeberg
@diegoreeberg