Financiamento coletivo no Brasil – Blog do Catarse

Histórias de Projetos

Criadores Respondem: Carlos Filho e o Rabiscaria

Toda semana a gente vai colocar no blog pelo menos uma entrevista com criadores de projetos que estão no Catarse. A ideia é conhecer um pouco mais sobre os projetos, as pessoas e as paixões que estão por trás dele.

A gente começa essa série com o Carlos Filho, do Rabiscaria.

1) Nos conte um pouco mais sobre quem é o Carlos Filho, o Mateus Dutra e se tem mais alguém na equipe do Rabiscaria.

Sou Carlos Filho, 31, formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Goiás, e pós-graduado em Design Estratégico pelo Istituto Europeo di Design. Sempre me interessei pela área criativa, e em 2001, no início da faculdade de Rádio e TV, comecei no negócio do design para web. Sempre adorei tudo relacionado à arte e ilustração, por influências em casa – a família é quase inteira formada por artistas, músicos, atores. Criei um estúdio de design em 2004 e, hoje, atendo grandes clientes em Goiás e Brasília na área de desenvolvimento web.

O Mateus Dutra, 30, é artista plástico, que coloca a obra em suportes tão variados como tela, papel e nas ruas da cidade. Ele trabalha comspray, tinta acrílica, silkscreen, canetas, marcadores, posters, stickers e afins. Enfim, é a cara do Rabiscaria. Já participou de eventos e exposições como a Tocayo (Rio de Janeiro, 2008), BECO (Goiânia, 2008), Exposição Goiânia Noise 15 Anos, 15 Visões (Goiânia, 2009), Exposição Artistas Brasileiros 2009 – Novos Talentos – Senado. Federal (Brasília, 2009). Hoje o trabalho dele vem sendo exibido na Galeria de Arte Potrich (Goiânia), Chez Lui (Goiânia), Armazém da Decoração (Goiânia), Renome Galeria de Art e Design (Brasília) e Marcos Caiado Galeria de Arte (Goiânia). Mateus também  já divulgou seu trabalho em Barcelona, Huesca, Alcobendas e Bilbao (Espanha), Estocolmo (Suécia), Linz (Áustria) e Hanoi (Vietnã) e por diversas cidades do Brasil, tais como Recife, São Paulo e Rio de Janeiro.

2) A gente também quer saber um pouco mais da história do Rabiscaria. Como foi esse caminho desde o surgimento da ideia até hoje? Há quanto tempo vocês estão nessa?

O Rabiscaria surgiu como embrião em 2001, 2002. Eu tinha muitos amigos ilustradores, skatistas, músicos. Nesse meio sempre há muita arte visceral. Mas me chateava saber que muito do que era produzido por eles acabava em caixas de sapato debaixo da cama. A primeira ideia veio em forma de um site onde o ilustrador pudesse cadastrar suas obras e divulgá-las por meio do portal. Os custos de servidores de hospedagem naquela época me impediram de colocar o projeto no ar. Mas a ideia ficou guardada – da mesma maneira que as ideias que eu tentava colocar pra frente. Só recomecei a colocá-la em prática em meados de 2009, durante a pós-graduação em Design Estratégico. Junto com uma amiga que trabalhava comigo, fiz o plano de negócios e estruturei toda a ideia, da identidade visual à parte jurídica. Apresentamos como trabalho de conclusão de curso e levamos um “10 com louvor” do IED. A partir daí, comecei a tirar a ideia do papel aos poucos. Fechamos com fornecedores, estamos finalizando o site, produzimos algumas peças iniciais com dinheiro do bolso, participamos de dois eventos de design e música em Goiânia para ver a receptividade e ficamos animadíssimos. Hoje, algumas das peças estão em galerias de arte da cidade.

3) E vocês tiveram inspirações de outras empresas para começar o Rabiscaria?

Na época do TCC, fizemos uma grande e profunda pesquisa sobre o uso do conteúdo gerado pelo público voltado para produção artística. Não dá pra negar nossa semelhança com o Camiseteria, né? Fomos muito inspirados pelo sistema deles, que funciona muito bem e é uma referência em sites que utilizam o motor do crowdsourcing para produzir conteúdo. Além deles, os gringos como Threadless, Etsy e Yanko Design também renderam ótimas ideias de como poderíamos funcionar. A proposta do Rabiscaria é inovadora porquê dá a oportunidade ao designer de colocar sua arte em praticamente qualquer suporte.

4) A gente acha genial que seja feito esse processo de curadoria, e também é bem interessantes que é a comunidade que fará a avaliação, mas como exatamente funcionará esse processo?

O artista irá cadastrar sua obra no site, escolhendo em qual suporte ele deseja imprimi-la. A curadoria, formada por designers, artistas plásticos e diretores analisa a viabilidade técnica e mercadológica da proposta e, caso seja exequível, ela é colocada em votação. A partir daí, o processo é o que a gente já conhece: a comunidade vota na arte dentro de um determinado prazo e, caso a votação indique uma boa aceitação do público, nós produzimos a ideia. O artista, além de ganhar o seu próprio produto, recebe royalties sobre cada venda feita.  E isso é para sempre, ou seja, enquanto o produto tiver saída, ele ganha.  

5) Quais são os tipos de produtos que já serão produzidos desde o começo? E o que os fanáticos pelos produtos podem esperar de novidade mais pra frente? (em relação à variedade de produtos mesmo).

Inicialmente estamos trabalhando com vários tipos de utilidades domésticas: canecas, copos de whisky, vodka, pinga, água, cinzeiros, garrafas térmicas, além de chinelas Crocs, Havaianas, bottons, prints, bolachas de chopp, almofadas, entre outros vários itens. As camisetas, claro, sempre estão dentro. Estamos analisando propostas de novos produtos de alguns fornecedores, utilizando materiais sustentáveis e inovadores. Além disso, os próprios artistas e visitantes do site vão poder sugerir novos produtos para serem personalizados. Temos ainda boas novidades que serão implementadas logo após o site ser lançado.

6) Ser financiado pelo Catarse envolve que o dono do projeto mexa com sua comunidade e incite-a a agir. Como tem sido esse processo pra vocês? Como as pessoas tem reagido a esse jeito novo de financiar o seu projeto?

É um desafio grande apresentar o financiamento colaborativo para as pessoas. A receptividade ao projeto está muito boa. Nos dois eventos que fizemos, percebemos que as pessoas tem muito interesse no projeto, querem participar, comprar os produtos e ajudar. Estamos divulgando as doações em nossa rede de relacionamentos, e a ajuda das pessoas via twitter e facebook nos pegou de surpresa! É extremamente gratificante ver que um projeto com foco no coletivo se vira muito bem na própria rede. Apesar do desconhecimento inicial, em questão de minutos conseguimos explicar como tudo funciona e que, caso o projeto não consiga arrecadar o montante total, a pessoa recebe o dinheiro doado de volta. Isso dá a segurança necessária para a pessoa saber que tem gente séria por trás disso.

Gostou do projeto do Carlos Filho? Faça ele acontecer clicando aqui!

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Para quem quiser conhecer mais o trabalho do Rabiscaria, indicamos a página deles no Youtube.