Financiamento coletivo no Brasil – Blog do Catarse

Mundo Crowd

Crowdfunding vs Bullying

Uma campanha no site IndieGoGo viralizou. O título é “Lets Give Karen – The Bus Monitor – H. Klein a vacation” ou simplesmente “Vamos dar umas férias para Karen H. Klein, a monitora do ônibus escolar”. A primeira impressão, ao considerar apenas o título, é a de que simplesmente querem financiar coletivamente as férias de uma potencialmente muito dedicada Karen…

Não. Não se trata disso.

O vídeo abaixo, que é o mesmo do projeto, ilustram 10 minutos da vida da senhora de 68 anos, monitora do ônibus escolar da Athena Middle School em Greece, Nova Iorque. 10 minutos onde crianças atacam a senhora verbalmente, sem descanso e com requintes de crueldade. O vídeo está em inglês, mas “fatass”, “poor” , “bitch”e “ugly” são palavras bem recorrentes.

 

A campanha inicial queria apenas 5 mil dólares para dar um presente, que viria em forma de uma viagem, para Karen. Mas o projeto se tornou um estandarte no combate à prática de bullying, viralizou, e em poucos dias já atingiu a marca de 660 mil dólares.


O projeto  traz novamente a questão das agressões verbais e do bullying para a discussão. Os EUA vem combatendo a prática, que é um problema sério na sociedade americana, que já sofreu com casos graves como o de Phoebe Prince, uma britânica de 15 anos que se mudou para os EUA e se suicidou após ser alvo de um bullying sistemático e cruel por parte dos colegas.

Mas aqui temos um outro aspecto interessante na equação… Enquanto mídias em geral outrora apenas alertavam e colocavam luz sobre os problemas, em casos como esse projeto,   a comunidade, a “crowd”,  identifica um caso como esse como sendo relevante e  de certa forma “indeniza” a vítima ao mesmo tempo em que levanta a discussão e gera questionamentos sociais.

As perguntas que ficam são: será que não devíamos explorar mais o crowdfunding como instrumento de afirmação da sociedade civil? Como um instrumento de protesto, apontamento de questões sociais e problemas a serem resolvidos?

Em seguida, inevitavelmente penso:  que tipo de disrupções isso não causaria caso fosse de fato utilizado sistematicamente?

Não sei… mas algo me diz que no mínimo seria interessante. :)

por Rodrigo Maia