Financiamento coletivo no Brasil – Blog do Catarse

Dados / Dicas de Campanha / Geral / Histórias de Projetos

O envio de recompensas de projetos de crowdfunding

Postal enviado para o Coletivo Nigéria, de Fortaleza

Postal enviado para o Coletivo Nigéria, de Fortaleza. Pedimos perdão pela péssima caligrafia do nosso repórter, rs

Do planejamento ao final da campanha, um fator nunca pode ser ignorado em um projeto de crowdfunding: o envio das recompensas. De onde virá a maior parte dos seus apoios (e consequentemente irão suas recompensas)? Que tipo de embalagem você terá de usar? Quanto os Correios vão cobrar? Claro que nem tudo pode ser previsto com exatidão, mas realizadores ouvidos pelo Blog do Catarse dão dicas para você se preparar melhor.

Para começo de conversa, é necessário definir que tipo de objeto você vai oferecer a seus apoiadores. Por causa dos custos de envio, a decisão mais difícil talvez seja a recompensa para as menores doações. “Uma boa opção é um cartão postal personalizado. Todo mundo gosta de receber uma lembrança pelo apoio, e o cartão é barato para se produzir e para se enviar”, recomenda Maurício Chades, do projeto As aventuras subjetivas de Bjork.

Como teste, enviamos um cartão postal (imagem acima) para o Coletivo Nigeria, realizador do projeto Defensorxs. O envio de São Paulo para Fortaleza (2.940 km, segundo o google maps) custou R$ 1,40.

Livros

Para livros, a grande recomendação é utilizar o serviço impresso nacional, também conhecido como impresso módico. Ele tem preço fixo para qualquer lugar do país, variando de acordo com o peso (confira tabela no site dos Correios). O envio de um livro de 500g, por exemplo, custa R$ 4,90 – sem a taxa opcional de registro (para rastreamento), que é de R$ 1,80.

De acordo com a agência dos Correios do centro de São Paulo, o limite para a modalidade é de 10 kg. No site dos Correios, no entanto, o valor está fixado em 20 kg. Vale a pena conferir essas informações nas agências de onde você pretende enviar suas recompensas. É importante considerar o peso da embalagem.

Pode parecer besteira, mas mesmo no envio de livros a embalagem pode fazer diferença no peso e no preço. Isso porque não é recomendável enviar o objeto solto em um envelope comum. “Como o livro é mais pesado que uma foto ou uma carta, pode acontecer de rasgar, até molhar o livro”, explica Maurício Chades.

Segundo Chades, o melhor é comprar um envelope forrado com plástico bolha, ou, para economizar um pouco, enrolar o livro em plástico bolha antes de colocar no envelope comum. O material é facilmente encontrado em papelarias.

Pôsteres

Cartaz do projeto As aventuras subjetivas de Bjork

Cartaz do projeto As aventuras subjetivas de Bjork

Um tipo de recompensa que requer atenção especial no envio são os pôsteres, que podem ficar amassados. “O ideal é uma embalagem rígida”, opina Maurício Chades. “Essa preocupação é essencial pra satisfação dos apoiadores”, completa.

Fabio Coala, do projeto da graphic novel O Monstro, criou sua própria embalagem para enviar essas recompensas. “Comprei caixas maiores, enrolei os cartazes e os coloquei dentro de conduítes de eletricidade, que são flexíveis mas que com os pôsteres enrolados dentro ficavam rígidos”, conta.

Quem também providenciou sua própria embalagem foi Márcio Sequeira, do Mola. Com mais de 1.600 kits para enviar, ele encomendou caixas em uma fábrica, o que reduziu seus gastos. Os fabricantes, no entanto, só atendem a grandes demandas. “O melhor é fazer o orçamento com uma caixa normal mesmo, e depois ver sé possível fazer a encomenda das caixas”, explica Márcio. “Se eles [fabricantes] aceitarem, sai mais barato”, resume.

CDs

O trio O Terno, com disco que foi financiado no Catarse

O trio O Terno, com disco que foi financiado no Catarse

Música é a categoria com mais projetos no Catarse. Foram 659 até hoje. Foram muitos discos financiados por crowdfunding. Em geral, uma das recompensas é, justamente, um exemplar do CD. É perigoso contar com isso na hora de fazer seu orçamento, mas na hora de fazer o envio, muita gente consegue economizar mandando o disco como carta normal.

“Na primeira agência que fomos, não deixaram. Na segunda, não houve problema. Chegamos com os CDs já dentro envelope e fizemos o envio como carta normal”, conta Guilherme D’Almeida, do trio O Terno. Este repórter também fez essa experiência e enviou, com sucesso, um CD para Curitiba gastando apenas R$ 1,95. Os LPs do Catarse do Terno, no entanto, tiveram que ser enviados via PAC.

PAC

trecho da graphic novel O Monstro

trecho da graphic novel O Monstro

“O impresso módico é o mais barato, mas tem que lembrar que só pode ser impresso. Se acrescentar um botton, que não pesa quase nada, já tem que ir por PAC”, explica Fábio Coala. O PAC (sigla de Prático, Acessível e Confiável) costuma ser a principal escolha para o envio de recompensas. O preço varia conforme o peso e a distância da entrega. Uma tática que costuma ser utilizada por realizadores é fazer simulações de envio para diferentes locais e fazer médias. Isto pode ser feito tanto pelo site dos Correios como em agências.

Márcio Sequeira utilizou a técnica para elaborar seu orçamento. “Cotei situações extremas, de envio de lugares muito longe e para perto, e fiz uma média”, conta. É importante fazer diferentes cálculos para cada uma das recompensas oferecidas. ”O erro mais comum é no cálculo do frete. Simular cada premiação o mais próximo da realidade possível é muito importante”, opina Coala.

Envio internacional

Cartões postais do projeto Mola

Cartões postais do projeto Mola

Para enviar o Mola Structural Kit para fora do Brasil, Marcio Sequeira pedia que os apoiadores gringos adicionassem R$ 100 ao valor do contribuição. Alguns não seguiram essa orientação, gerando mais trabalho para o realizador para enviar as recompensas. Fica a dica: se for oferecer envio para fora do país, crie uma recompensa específica, já com o valor do frete incluso. Para o cálculo, Márcio recomenda a mesma técnica usada para envios caseiros: pensar nas situações extremas e estabelecer um valor.

Houve muito interesse de fora no projeto do arquiteto paraense. Em um caso específico, um apoiador fez orientações precisas sobre o envio. “Recebi um email de um cara da Mongólia que queria saber se eu poderia mandar um kit para lá. Disse que ‘sim, claro’. Ele me falou que o envio teria que ser feito pela DHL, ou não chegaria”, conta.

Para os demais apoiadores estrangeiros, Márcio comparou os preços de envio pelos correios e por empresas de fora, como FedEx e DHL, e viu que pela companhia brasileira sai bem mais barato, “até 3 vezes”, explica. No entanto, ressalta, há um controle maior: “essas empresas retiram o produto na sua casa e entregam na casa do apoiador”. No caso dos Correios, sua entrega depende de companhias de outros países.

Alternativas

Uma estratégia muito utilizada para evitar custos com envios é organizar eventos em que apoiadores podem retirar suas recompensas. Além da redução de gastos, isso fortalece a aproximação gerada pela campanha de financiamento coletivo. Outro modo de “fugir” dos Correios é fazer você mesmo a entrega de recompensas de apoiadores da sua cidade. “Você pode separar uma verba para a gasolina para entregar as recompensas locais e só enviar via Correios para pessoas de fora”, sugere Maurício Chades.