Financiamento coletivo no Brasil – Blog do Catarse

Mundo Crowd

Experimento na Suécia

 

Hoje falaremos sobre uma iniciativa bem legal na Suécia. Não… Antes que você se anime, não vamos falar de como eles optaram por adotar um pronome neutro para designar gêneros, com o intuito de diminuir a noção de diferença social entre os sexos. Muito menos falaremos de suecas estrondosamente lindas ou de suecos altos e atléticos.

(algumas pessoas vão abandonar o post aqui.)

Na onda dos diálogos possíveis entre o crowdfunding e a política, hoje nossa pílula do Blog traz o site CrowdCulture.se , que faz uma interessante mistura entre dinheiro público e crowdfunding.

A plataforma permite que membros associados, que pagam cerca de 6 euros/mês, opinem sobre a distribuição, diretamente para projetos, de recursos de fundos públicos da Suécia, mais especificamente da capital Estocolmo.  O site também funciona como plataforma de financiamento colaborativo convencional, e permite a contribuição direta de valores por parte de não associados.

Bem legal ver esse experimento, que está no ar desde 2010 e é desenvolvido pela Fabel Kommunikation , em parceria com o SICS (Swedish Institute of Computer Science), e conta com a colaboração da The Foundation of Innovative Culture (desafio vocês a entender o que está escrito lá) e Vinnova.  Empresas e entidades governamentais trabalhando juntas para entender os caminhos da economia criativa e de inovação na Suécia. O objetivo é testar novas dinâmicas de cooperação entre governo e sociedade civil, e averiguar possibilidades na área de financiamento.

Aqui no Brasil seria interessante se tivéssemos algo nessa direção. Seria interessante explorar novas sinergias entre sociedade, produtores culturais, empreendedores e governo. Afinal de contas, se queremos uma economia mais participativa,com certeza o diálogo é elemento importantíssimo na equação.

O crowdfunding, ao nosso ver, não rivaliza com as formas mais tradicionais de financiamento. Ela apresenta uma opção a mais, que abrange setores que nem sempre são contemplados por editais ou financiamentos públicos.

Esperamos muito, nos próximos anos, ver as Secretarias de Economia Criativa espalhadas pelo pelo país mergulharem cada vez mais na defesa e implementação de políticas voltadas para o desenvolvimento do setor.  É possível que descubramos que o diferencial brasileiro não esteja apenas na sua abundância natural e na vastidão de seus territórios, mas dentro da cachola dos índivíduos que formam este Brasil, que é reconhecidamente criativo, suingado e tem  pessoas de sobra com muita disposição e vontade de fazer acontecer. Nosso “jeitinho brasileiro”, ora condenado, ora idolatrado, pode ser crucial e importantíssimo num futuro onde a economia do trabalho imaterial certamente será preponderante. E se nos utilizarmos dessa potência de forma correta,  podemos nos colocar num lugar de destaque no cenário mundial da economia criativa e dos negócios sociais.

E para isso, diálogo é muito importante. Que em 2013 vejamos mais experimentos, e mais trilhas sendo abertas na vastidão criativa que se chama Brasil.

Rodrigo Maia
@rmaiafoto