Financiamento coletivo no Brasil – Blog do Catarse

Dicas de Campanha / Histórias de Projetos

Infância livre em fotos: entrevista com os criadores do Retrato pra Yayá

Irmina Walczak e Sávio Freire, parceiros na vida e na fotografia, criaram um diário fotográfico sobre a filha Yasmin e sua infância vivida à moda antiga: livre de consumo, televisão e tecnologia e próximo às pessoas queridas e à natureza. No Catarse, juntaram mais de R$60.000 com a ajuda de 343 pessoas para viabilizar o livro Retratos pra Yayá, que é uma celebração às suas convicções, buscas e arte.

Nós batemos um papo com eles, por conta da nossa página especial sobre Publicações de Livros e Revistas Independentes, onde dividiram conosco o porquê de escolher o financiamento coletivo, os desafios de se publicar um livro independente com a ajuda direta de seus leitores e os aprendizados gerados nessa jornada.

Leia a entrevista abaixo, na íntegra:

 

1 – Por que vocês escolheram fazer um Catarse ao invés de buscar outra forma de financiamento (grana própria, editais, patrocinadores)?

Faz tempo a gente acompanhava os sites de financiamento coletivo, apoiava campanhas com as quais nos identificávamos e algo nessa modalidade nos atraia fortemente. Esse espírito de fazer junto, de envolver as pessoas não é somente um ideal de sociedade, mas também um ótimo termômetro da necessidade, do interesse das pessoas. Desde o início tínhamos claro que não queremos fazer um livro por fazê-lo, por um capricho do ego, e o crowdfunding era o único que podia nos dar a resposta sobre o interesse real das pessoas em nosso trabalho virar um livro antes de avançarmos no processo. É uma liberdade imensa comparado com editais culturais ou editoras, mas também tamanha responsabilidade, afinal lidamos com a confiança de mais de 300 pessoas e somos nós, inexperientes no processo, principais encarregados. Uma campanha bem sucedida exige uma preparação, um estudo anterior e muito trabalho enquanto ela está no ar, assim como depois, na produção e entrega das recompensas.

 

2 – Quais os medos que vocês tinham antes de lançar a campanha e como fizeram para encará-los e superá-los?

Sinceramente, o maior medo é não conseguir; sair da campanha com a cara de derrotado. Portanto, o primeiro passo foi desapegar da opinião alheia nesse sentido. É um pacto de firmeza, de um dia após o outro, que você precisa fazer consigo mesmo. Há dias maravilhosos e outros em que você perde a fé. E é exatamente nesses momentos que você precisa rebuscar as estratégias, criar coisas novas, surpreender e fazer parcerias. Um bom planejamento (sim, nós preenchemos todas as planilhas disponibilizadas pelo catarse!) misturado com a criatividade e abertura ao outro.

 

3 – Qual foi o sentimento de vocês quando o projeto bateu a meta?

Acho que foi uma mistura de satisfação com alívio. A certeza de que todo aquele tempo de dedicação à campanha não foi em vão, nos trouxe uma paz. Saber que vários anos de trabalho, fazendo as fotos e divulgando a nossa obra, trouxeram esse fruto, nos deixou realmente realizados, com aquele sorriso de orelha a orelha e uma vontade imensa de estar por perto daqueles que nos deram seu apoio.

 

4 – Qual foi o maior aprendizado com o processo da campanha?

O maior aprendizado sem dúvida foi o lado humano. A gente escuta tanto nos dias de hoje que a humanidade não tem mais jeito, que vivemos numa sociedade individualista, que ninguém liga pro outro, que acabamos formando, naturalmente, um pessimismo em relação as pessoas, baixamos ao mínimo nossas expectativas. Ver as pessoas vibrando junto com a gente, em todas as etapas da campanha, foi muito mais animador do que qualquer meta batida.

 

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