Financiamento coletivo no Brasil – Blog do Catarse

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Katiani Martins: mudando o mundo, um projeto por vez

A cara dos novos mecenas

A gente acredita que quem apoia quem faz é tão importante quanto quem faz. Desde que o Catarse estreou, em 2011, mais de 300.000 pessoas já acreditaram e apoiaram outras pessoas que queriam tirar seus sonhos do papel.

No meio dessa multidão, tem gente que brilha sutilmente. São pessoas que não estão nos holofotes, não têm uma horda de seguidores, muitas delas trabalham em horário comercial mesmo, passam desapercebidas para quem as olha, mas não repara. Aqui no blog, já contamos as histórias do Humberto Figueira e do Andersen Fernandes.

 São pessoas que tem fome, que mudam o mundo do seu jeito, sem se importar sobre o que os outros pensam, que arregaçam às mangas na frente do computador e estendem as mãos para aquela outra pessoa que se esforça com unhas e dentes pra tornar realidade o seu projeto.

A rainha das terras Catárticas

Hoje, a mecenas que brilha sutilmente no Catarse se chama Katiani Martins de Oliveira. A primeira vez em que ela entrou no Catarse foi no dia 08 de julho de 2015. Desde lá, já apoiou outras 326 campanhas. Enquanto você lê esse texto, talvez sejam 350.

Katiani não é uma herdeira, tampouco alguém que gasta desenfreadamente todo o seu salário em apoios aqui no Catarse. Ela é mãe, analista de sistemas de um grande banco e descobriu uma maneira incrível de causar impacto com pouco, aos poucos, e sempre.

Para agradecê-la olho no olho e poder entender mais sua história, nos encontramos num café no Centro do Rio de Janeiro, pouco depois de ela ter completado 1 ano desde que entrou para a nossa comunidade.

 

 

O começo

Katiani lembrou que o primeiro apoio dela no Catarse foi em Julho de 2015 para a campanha do Pétalas, livro de estreia do menino prodígio (palavras de Sidney Gusman) do quadrinho nacional: Gustavo Borges.

Ela conheceu o financiamento coletivo num papo de corredor no banco. Quis entender melhor o que era aquilo e jogou o termo no Google. Entrou em alguns links e ficou vidrada na vitrine de projetos que viu no Catarse. Desde então, todo a semana apoia novos projetos e abraçou com afinco o hábito de ajudar as pessoas a realizarem seus sonhos.

Suas preferências

A categoria que mais recebeu suas contribuições é a de Quadrinhos, com 141 apoios até agora, seguida de perto pelos projetos de Literatura, com 126 contribuições. Completando o pódio, 24 projetos de Jogos. Já foram apoios em 16 das 18 categorias que o Catarse tem.

gráficos projetos apoiados por categoria

 

Das mais de 300 campanhas apoiadas e muitas recompensas recebidas, a preferida é o jogo Quissama, um boardgame com temática brasileira e mecânica europeia, ambientado no Rio de Janeiro de 1868 que foi sucesso de captação.

 

 

Quando uma das recompensas permite que o item seja assinado, ela pede para também incluir o nome da filha. A principal companheira de Katiani para desbravar as aventuras é a encarregada (por curiosidade, e não por obrigação) de abrir os pacotes assim que chegam em casa e compartilha a empolgação da mãe com as novidades.

3 dicas para seu projeto chamar a atenção da Katiani

As recompensas são sim uma peça importante na decisão dela apoiar (principalmente pra definir o valor do apoio), mas não é só isso e ela compartilhou com a gente 3 dicas para os realizadores de plantão:

1 – Descrição minuciosa para apoiadores nível Sherlock Holmes

A principal razão que leva ela a colaborar com algum projeto é a descrição dele, é como o autor explica o que vai fazer. Sinopse e dados técnicos importam. Se é um livro, ela diz querer saber se é capa dura, se é brochura, os detalhes, pra poder imaginar como será tê-lo em mãos.

Mas não adianta querer abordá-la em redes sociais pra conseguir seu apoio. Ela olha todas (sim, TODAS) as campanhas que entram no Catarse. Então gaste energia fazendo uma apresentação bonita e convincente que aumentam suas chances de ser presenteado com o apoio dela.

2 – Recompensas que fazem sentido

Um apoio é uma relação de troca e, pra ela, as recompensas tem que refletir isso. Se o apoiador é alguém que acreditou no seu projeto antes dele estar pronto, então pense em recompensá-lo com algo único, exclusivo e num valor que represente um bom negócio pra ele.

3 – Português impecável é sexy

Nas palavras dela: “Se uma pessoa quer atrair apoiadores desconhecidos, “pelamordedeus”, precisa prezar pela linguagem. Passo reto quando vejo certos absurdos.”.

E cuidado pra não se tornar o Joel Santana do financiamento coletivo. Algumas campanhas deixam a descrição em português/inglês, mas utilizando um software de tradução que comete deslizes. Lembre de pedir para alguém revisar: January River não é o Rio de Janeiro.

Outros sonhos

Fã de esportes, a Katiani esse ano tirou férias para acompanhar de perto os Jogos Olímpicos (e já contribuiu com a campanha para levar o Brasil para as Olimpíadas Biônicas). Ano que vem seu sonho é participar (e levar a filha) pela primeira vez a CCXP (alô Ivan Costa!).

Enquanto isso, dia após dia, de pouco em pouco, ela continuará nos lembrando que os grandes heróis do mundo de hoje são pessoas que constroem tijolo a tijolo, apoio a apoio, a realidade que querem ver no mundo.

Como disse o historiador e ativista Howard Zinn: “O que importa são os incontáveis pequenos atos de pessoas desconhecidas, que fundam as bases para os eventos significativos que se tornam história.”

Em busca de novos mecenas

Quase 40% do valor arrecadado na história do Catarse vem das pessoas que apoiaram 2 ou mais projetos (20% do total de apoiadores). Ao ouvir a comunidade, descobrimos que uma das razões das pessoas não voltarem é a falta de hábito de entrar no site e só ficarem sabendo de campanhas quando os amigos compartilham.

Pra estimular que as pessoas conheçam as novas campanhas, agora você pode seguir e ser seguido dentro do Catarse. Com isso, você vai receber um email sempre que um amigo apoiou ou criou um projeto. É uma nova forma de descobrir projetos incríveis, com a recomendação de pessoas que você confia no gosto.

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