Financiamento coletivo no Brasil – Blog do Catarse

Histórias de Projetos / Vídeo

Nosso primeiro (e último!) crowdfunding

Confiram abaixo o depoimento da galera do Repolítica sobre a sua experiência com o crowdfunding. Foi uma campanha bem-sucedida e, como sempre, muito suada. O projeto arrecadou R$ 30.408, batendo a meta mínima de R$ 29.885 e foi viabilizado com ajuda de 270 apoiadores:

repolitica

Nosso primeiro (e último) crowdfunding

Começamos a pensar na possibilidade de fazer um crowdfunding para o Repolítica no final de 2011, quando nos vimos com muitas ideias e poucos recursos para realizá-las. Nossa proposta de aproximar eleitores e candidatos com pensamentos parecidos ainda tinha muito a ser aprimorada. E as eleições municipais demandariam uma grande reformulação no site, ainda adaptado às eleições de 2010.

Conversando com o pessoal da aceleradora de projetos Multitude (empresa parceira do Catarse, que estava realizando acompanhamento de algumas campanhas no site desde fevereiro deste ano – nota dos editores do blog), eles se mostraram muito empolgados em colocar o projeto na plataforma para tentar um financiamento coletivo. Mas tínhamos receio de que as pessoas não fossem colaborar. Pelo menos não financeiramente. Já é tão difícil convencer as pessoas de que é essencial dar atenção às questões políticas, imagine então dar dinheiro! Mas a galera da Multitude nos convenceu de que a comunidade é muito mais engajada do que se imagina.

Então, colocamos na meta os nossos principais custos, que não eram baixos, e assim, começamos nossa campanha. Um tanto descrédulos ainda, mas esperançosos e bastante tensos. E ainda tínhamos um problema adicional: éramos poucos. Somos dois designers e dois engenheiros, e, como os engenheiros não podiam parar de programar (ou não teríamos site a tempo), na prática sobraram apenas dois designers para fazer a maior parte da campanha (ainda se dividindo entre crowdfunding e trabalhos como freelancers).

A primeira semana até que gerou um bom resultado em termos de divulgação e arrecadação, mas, ao mesmo tempo, gerou muitas críticas de amigos, por conta do nosso vídeo, um tanto precário. É nisso que dá ter muitos amigos designers! hehehe… Apesar de não terem sido apenas designers criticando. De qualquer forma, isso mexeu com nossos brios de designers! Então, perdemos uma semana de crowdfunding fazendo um novo vídeo. No fim, acabamos desenvolvendo uma animação, que não dependia da superação da nossa falta de intimidade com as câmeras.

Modéstia à parte, ficou legalzinho.

 

E, por mais que muita gente diga que a qualidade do video não faz tanta diferença num crowdfunding, a nossa impressão foi diferente. Nossa animação teve bem mais visitas e, principalmente, nos deu muito mais ânimo e orgulho de divulgar. Fora que, passar algum grau de profissionalismo demonstra seriedade, essencial pra convencer qualquer investidor, mesmo os crowdfunders. E, some-se a isso uma abordagem diferente da campanha, seguindo aquela máxima do marketing: “as pessoas não compram características, compram benefícios”. Assim, tentamos focar a comunicação menos nas questões técnicas da plataforma e mais na nossa intenção ao construí-la. Como nós poderíamos estimular eleições mais justas e conscientes.

Mas ainda assim estávamos tensos. A equipe da Multitude teve bastante trabalho pra nos acalmar e tentar nos colocar nos eixos da campanha (e merecem muitos créditos por isso!) Cada dia que passava em que recebíamos poucas doações (ou até nenhuma) era um suplício. Uma confirmação dos nossos primeiros temores. Mas, como disse alguém: “O sucesso vem para aqueles que, mesmo cansados e desestimulados, não param de lutar.”

E prosseguimos com a divulgação. Acessamos comunidades, jornalistas, ongs… Saturamos amigos e parentes com pedidos de contribuição e divulgação. Esticamos ao máximo o nosso capital social (quem ainda continua no nosso círculo de amizades se provou bastante paciente. hehehe…) Mas, no fim, o esforço valeu a pena. Nós conseguimos até mais do que pedimos, especialmente contando que algumas pessoas estão contribuindo com mão-de-obra pra ajudar a tocar o projeto: Miguel, Bernardo, Débora, Thiago…

O crowdfunding acabou sendo a melhor coisa que poderíamos ter feito. Conseguimos apoios que levantaram muito o nosso ânimo, adiantamos a divulgação que, em tempos normais, só começaria em julho e, menos importante do que tudo isso, mas ainda essencial, conseguimos o capital necessário para levantar o site para estas eleições. Mas, ao mesmo tempo que o resultado foi ótimo, o processo foi bem tenso e desgastante. Quem pensa que entrar num crowdfunding é só colocar o projeto no ar e esperar não poderia estar mais enganado. Foram 2 meses tensos e intensos, dormindo pouco e trabalhando muito. E por isso, eu, particularmente, acho que só faria outro crowdfunding numa próxima vida. Ou vou começar a cair na caixa de spam dos meus amigos. hehehe… Brincadeira. Eu poderia vir a fazer um novo crowdfunding em algum momento, mas, certamente não muito em breve. Até porque, parte da força do crowdfunding está em não ser regular, ser um grande esforço pra dar o pontapé inicial em alguma coisa.

De toda forma, é bom que todos façam um crowdfunding em algum momento das suas vidas, é uma experiência muito enriquecedora. Pedir em si é uma experiência que muita gente acaba não tendo na vida, e perde muito com isso, ou se tornando gente muito egoísta, ou muito orgulhosa. Hoje em dia nós estamos bem mais atentos às pessoas que estão pedindo alguma coisa.

E quem curtir o projeto e estiver querendo saber como estão sendo os passos seguintes ao crowdfunding, é só nos acompanhar:www.facebook.com/repolitica

Grande abraço!

Daniel Veloso, Eduardo Nicodemos, Raphael Leng Li e Rodrigo Rego