Financiamento coletivo no Brasil – Blog do Catarse

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Papo catártico: a experiência de Felipe Cagno em 10 campanhas de sucesso

Recebemos o Felipe Cagno para contar um pouco de uma trajetória com 10 campanhas de financiamento coletivo bem sucedidas no currículo. Ele é um bom exemplo de que “crowdfunding vicia”, como colocou o anfitrião Diego Reebeerg: são 7 campanhas no Catarse, 3 no Kickstarter, aproximadamente 400 mil reais arrecadados e 70 projetos apoiados.

O público que acompanhava on-line e ao vivo no Auditório do Museu de Recompensas do Catarse já começou surpreendido com uma espécie de confissão: na verdade são 11 campanhas, e a primeira de todas  - até então desconhecida – não foi financiada. Um projeto voltado para o público norte americano no tempo em que o roteirista morava nos Estados Unidos, que arrecadou pouco mais de 300 dólares na plataforma Indiegogo, mas serviu como um grande aprendizado. “Estava inserido em uma comunidade que já falava bastante de crowdfunding e tinha aquela impressão de que era só colocar o projeto lá, e que seria fácil”, lembrando-se do início dessa trajetória marcada por muita experimentação e estudo.

O começo no Catarse e a sequência bem-sucedida

Outra informação que pode ter surpreendido quem não é tão próximo da história do Cagno é que o seu primeiro projeto no Catarse não foi de quadrinhos. Sua estreia no financiamento coletivo brasileiro foi com uma campanha para o longa metragem Bala Sem Nome, e o Catarse foi a plataforma escolhida pela indicação de um parceiro de produção. A meta foi batida no sufoco e os apoios foram predominantemente do que Cagno chamou de “rede do amor”, amigos e parentes que estavam comprometidos em fazer o projeto acontecer pela relação com a equipe de realizadores.

Foi só então que os quadrinhos entraram para a história. Lost Kids entrou no Catarse em outubro de 2013 e não bateu a meta de primeira, mas lançou mão de um experimento do Catarse chamado “Segunda chance”, em que projetos que não atingiam a meta tinham a possibilidade de fazer reformulações e retomar a arrecadação. Alguns percalços de primeira viagem também marcaram esse projeto. “Faltou fazer a lição de casa e entender a realidade da categoria antes de lançar a campanha. Eu também orcei com apenas uma gráfica que era 20% mais cara que o mercado. A meta era totalmente sem noção”, relembra.

No Lost Kids também vieram os acertos de campanha, entre eles o investimento em comunicação focando em sites especializados. “Se você ainda não tem uma base de fãs, vale a pena investir em um press release e bombardear sites especializados”, aconselha. E ainda observa que, na sua experiência, os jornalistas são mais simpáticos a quem está lançando um primeiro projeto do que com os “veteranos” do quadrinho independente.

Relação com os apoiadores

Uma característica de Felipe Cagno que se destaca entre realizadores e cativa apoiadores fiéis é seu cuidado com a relação ao público. Do tempo dedicado a responder interações em diferentes canais à criação das recompensas, tudo é pensado para enaltecer quem acredita no projeto desde o começo. “Eu sempre penso sobre o que eu gostaria de receber como apoiador na hora de criar minhas recompensas”, isso inclui brindes que não são levados às feiras e capas variantes. E se tem uma coisa que o Cagno não abre mão é cumprir a estimativa de entrega das recompensas. “A pessoa acreditou no seu projeto desde o momento mais inicial e já vai esperar seis meses por isso. Não tem como deixar esperando mais um mês, é uma questão de planejamento”.

E mais do que respeitar os tratos com apoiadores, o roteirista faz questão de surpreender o público quando se trata da entrega das recompensas. O primeiro volume da Ruiva, por exemplo, estava na mão de quem apoiou antes mesmo da campanha chegar ao fim. “Eu já tinha batido a meta na primeira semana, então decidi bancar a impressão do meu bolso”. A Ruiva pode ser lançada na CCXP e os apoiadores não acreditavam. “Eu apoiei isso ontem no Catarse, como já está aqui?”, “Eu posso pegar mesmo?”, Cagno se diverte lembrando das reações do público. É esse tipo de tratamento que faz com que 60% dos apoiadores de seus projetos já tenham apoiado outras campanhas do realizador.

Uso inteligente de redes sociais

Para Cagno, Facebook é ferramenta de trabalho na qual vale investir dinheiro, “quando impulsiono uma publicação eu vendo quadrinhos, seu eu paro as vendas também param”. Além disso, uma série experimentos o fizeram descobrir os “hacks”, truques para ganhar visibilidade.

O Facebook distribui melhor conteúdos que mantenham o usuário dentro da rede, vídeos e fotos publicados na plataforma funcionam melhor que links externos. Também não vale a pena buscar compartilhamentos de postagem nem investir em posts formados unicamente por texto. Uma dica que ainda não testou é a de publicar apenas uma imagem ou imagem com texto e só incluir o link da campanha nos comentários, com o objetivo de aumentar o alcance do post. O último apontamento é quase um tabu da etiqueta nas redes sociais: curta seus próprios posts. “O Facebook não reconhece quando você mesmo dá o like na sua publicação e quanto mais likes, maior o alcance. Além de eu mesmo curtir, tento educar amigos e familiares sobre a importância dessa curtida para o meu trabalho”.

As outras redes sociais têm um papel menos importante nessa divulgação. Cagno tem nutrido o instagram e o twitter pensando no público estrangeiro, que já abandonou o facebook. O instagram mantém a barreira do uso de links (que não aparecem na postagem, apenas na página principal do autor) e o twitter tem um papel estratégico na rede de influenciadores e grandes nomes do quadrinho internacional.

Assista à conversa na íntegra

O papo catártico rendeu e entre causos e dicas foram quase duas horas de conversa. Você pode ver tudo o que rolou clicando aqui: