Financiamento coletivo no Brasil – Blog do Catarse

Mundo Crowd

Viagem ao centro do crowdfunding

Quando a primeira batata despencou da fazenda suspensa, Júlio Brocklinden sabia que era hora da colheita. A nova espécie fora desenvolvida na galeria x143y72z8 para que o talo suportasse o peso do tubérculo até o ponto ideal do seu desenvolvimento para o consumo humano.

O fato de o plantio ter sido um sucesso na abóbada do terreno não era surpresa para o tetocultor. O local fora escolhido por um dos gestores da galeria por ficar imediatamente abaixo de uma das maiores florestas subterrâneas da região. O solo sobre a área, abastecido de nutrientes e irrigado pelas árvores de um nível acima, era rico e fértil.

Júlio estudava a tetocultura desde que nasceu. Não costumava dizer, mas em seu íntimo orgulhava-se de ser bisneto de um dos desenvolvedores da tecnologia para a captação da luz solar na superfície e sua difusão no subterrâneo, que permitiu o crescimento de plantas embaixo da terra.

Muito além da obtenção de oxigênio e da regularização da umidade, o cultivo subterrâneo de alimentos tirou a humanidade da barbárie pós-apocalíptica.

Ao serem varridos da superfície do planeta depois da destruição da atmosfera terrestre, os poucos homens que restaram se refugiaram sob o solo. Não sabe quanto tempo se passou nesse estado em que a sobrevivência era a lei. Como não se via a luz do sol, o conceito de dias, meses e anos se perdeu.

Quando a luz natural passou a iluminar as galerias e a germinar as primeiras plantas no subterrâneo, foi declarado o ano zero. Uma era literalmente obscura da humanidade ficara no passado.

Doidera? Pode ser, mas um projeto no Kickstarter já conseguiu mais de U$ 130 mil para desenvolver um parque subterrâneo em Nova Yorke.

http://www.kickstarter.com/projects/855802805/lowline-an-underground-park-on-nycs-lower-east-sid