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Novos Jogos da América Latina (sob o olhar atento de um blogueiro Geek da Alemanha)

Traduzimos o texto em alemão publicado originalmente no blog Du Bist Dra, que traz consigo um olhar estrangeiro sobre a produção latino-americana de jogos de tabuleiro. O Labyrinx, que já passou pelo Catarse esse ano, é um dos jogos que são descritos ao longo do texto!

Por HilkMAN

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Depois da boa recepção aos meus primeiros artigos de panorama, apresento, como prometido, a continuação. Consegui mais uma vez fazer alguns contatos, e tive notícias de projetos interessantes.

Argentina

No dia 6 de maio aconteceu em Buenos Aires o terceiro festival “Geek Out!”, que, de acordo com o que li na internet, foi um evento grande e bem legal. Quem já organizou algo assim alguma vez sabe que reunir 2.400 pessoas já no terceiro encontro é um grande sucesso, e ainda mais quando se está entrando em um território desconhecido. Eu li, inclusive, que ônibus foram fretados para levar pessoas ao evento. Provavelmente já há um outro na Argentina sonhando com o próximo em 2018.

Jogo Conejos Capa

Pela segunda vez foram distribuídos os prêmios do Rei Alfonso. O principal ganhador foi Conejos em el Huerto, de Luis Marcantoni, distribuído pela Ruibal Hermanos. Parabéns! O jogo ganhou ainda o prêmio de Melhor Apresentação do Conjunto (vejam o “J” na capa – é bom ou não é?! Um parabéns também à ilustradora Celeste Barone). Estou curioso pra saber se também será possível ouvir algo sobre esses coelhinhos fora da Argentina. Outro concorrente das finais, Cultivos Mutantes, já está em preparação para sua versão em inglês. Na categoria de jogos em menores edições, o jogo vencedor foi Star Warships, de Gabriel Isaac Jalil. Parabéns pra ele também!

Capa do jogo Magos e tabernas

Um concorrente para o prêmio do ano que vem deve ser lançado em breve. Trata-se de Magos & Tabernas, de Adrián Novell. Três magos sedentos se encontram em um bar, mas só há mais uma cerveja no estoque. Que uma bola de fogo ou outra vai voar por aí, já está subentendido. O jogador luta até a cerveja utilizando-se de cartas de ação e livrando-se das cartas colocados no caminho entre o mago e a bebida. O porquê deles simplesmente não criarem mais cervejas, só saberemos em julho.

 

Brasil

O Brasil possui claramente o maior mercado de jogos da América Latina. Eu sinto que, até agora, só arranhei a sua superfície. Mas continuo na pesquisa, e me alegro em poder conhecer mais novidades dali.

Um exemplo ainda fresco na cena dos jogos de tabuleiro é a editora Redbox,  do Rio de Janeiro. Eles distribuem material de RPG com sucesso há alguns anos, revenderam alguns jogos estrangeiros e começam agora a distribuir jogos brasileiros pela primeira vez.  E são logo quatro:

Capa do jogo Tsukiji

Em Tsukiji, de Leandro Pires, você é um vendedor de peixes que deve tentar manipular os preços na peixaria de Tóquio de modo a terminar o jogo ganhando mais que seus adversários.

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Labyrinx, de Daniel Braga e Thiago Matos, acabou de conseguir completar com sucesso uma campanha de crowdfunding. Como o nome indica, o jogador se movimenta em um labirinto. Ele é criado no decorrer do jogo, através de cartas, de modo que é importante lembrar-se do caminho percorrido, pois há um conceito de “Fog of War”, ou seja, as cartas podem ser viradas para baixo. Enquanto se tenta manter o caminho de volta na memória, o jogador encontra tesouros, evita armadilhas e tenta irritar os concorrentes.

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Outro jogo de colocação de peças é Micropolis, de Rodrigo Rego. Nele, os jogadores expandem juntos uma cidade com casas, parques, fábricas e assim por diante. O objetivo é ser o primeiro a colocar todas suas marcas de influência no mapa da cidade, o que se consegue realizando construções especiais.

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Também de autoria de Rodrigo Rego temos Copacabana. Neste jogo a questão é, no início do século 20, transformar a praia adormecida na mistura de glamour e caos que ela hoje representa. Também aqui deve-se colocar as peças no tabuleiro, tentando colocar-se nas ruas mais valiosas e construir os edifícios mais caros.

Capa do jogo Gekido

No meu artigo de março sobre o panorama da América Latina eu havia mencionado o jogo Space Cantina, de Fel Barros e Warny Marçano. Fel Barros trabalha no momento na Cool Mini or Not, onde será lançada nos próximos dias a nova edição de Gekido: Bot Battles, um jogo que ele já havia lançado em português em 2014 com Romulo Marques e que agora estará ao alcance de um público maior. Gekido é um jogo dados, onde robôs se enfrentam em uma arena.

 

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O jogo Pablo, de Marcos Mayora, tem um estilo pouco usual. Em suas 140 cartas estão dispostas palavras e categorias (em diferentes níveis de dificuldade). Cada jogador possui algumas delas em mãos, as demais são colocadas na mesa. No seu turno, o jogador começa a cantar uma música, utilizando-se do maior número possível de palavras das cartas, que dão pontos de acordo com o nível de dificuldade das mesmas. Se outra pessoa possui alguma carta na mão que também é utilizada na música, ela pode começar a cantar também, ganhando então os pontos das palavras que usou. Também é possível jogar tomates (feitos de papelão) quando alguém erra a música. Quem quiser ter uma ideia de como é o jogo, pode fazê-lo aqui.  Pablo é distribuído pela Mandala Jogos, e há pacotes promocionais para diferentes estilos de música. O jogo é nomeado em homenagem a um famoso programa de música dos anos 80, e parece ser um daqueles maravilhosos jogos que, se jogados ao extremo, podem acabar te expulsando do seu apartamento.

 

Colômbia

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A editora colombiana Azahar Juegos já tinha atraído atenção para si em 2012 com Xanadú, que 3 anos depois foi relançado pela Quined Games. Agora, eles lançam dois novos jogos:

FocusX, de Guilherme Solano, é um jogo de cartas onde deve-se encontrar similaridades entre três cartas diferentes de animais (há categorias animais, cores e número). Pode-se jogar controlando o tempo ou sem limites, e de acordo com a editora, já pode ser jogado a partir dos cinco anos de idade.

Hot-Pota-toH! foi criado pelo autor de Xanadú, Javier Velásquez. Um maço de cartas é passado entre os jogadores, que devem jogar uma carta ou retirar uma do mesmo. Com isso, procura-se manter certas cartas na mão, e ao mesmo tempo evitar receber a carta da (explosiva) batata quente. A descrição lembra claramente de Exploding Kittens, mas em Hot-Pota-toH! não é possível terminar o jogo. O término ocorre quando a batata explode, e assim contam-seos pontos conseguidos. Com isso, cria-se incentivo para que alguém se arrisque, procurando ganhar pontos, ou mesmo o contrário, abrindo mão de pontos de modo a não perder tudo.

 

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