Financiamento coletivo no Brasil – Blog do Catarse

Dados / Geral

Retrospectiva Dois Mil e Catarse: R$ 1 milhão por mês

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O ano que já veio com trocadilho pronto foi de fato fantástico para nós. Nesses quase quatro anos, já passaram pelo Catarse 2.700 projetos, dos quais 1.480 (55%) alcançaram a meta de financiamento. Além deles, há 201 campanhas no ar neste momento. Mais de 180 mil pessoas contribuíram com R$ 25 milhões para essas iniciativas. Apenas em 2014, foram 1.140 projetos finalizados, dos quais 605 alcançaram a meta. Isso quer dizer que 42% dos projetos que passaram pelo Catarse e 41% dos financiados foram em dois mil e Catarse! Só este ano 88.500 pessoas contribuíram com R$ 12 milhões, ou seja, 48% de todo dinheiro movimentado na história da plataforma. Um média de R$ 1 milhão por mês!

O ano começou quente com o lançamento em janeiro de um marco do financiamento coletivo no Brasil: a pesquisa Retrato do Financiamento Coletivo. Realizada em parceria com a Chorus, o estudo trouxe dados inéditos sobre o perfil das pessoas que fazem o financiamento coletivo acontecer no Brasil, conhecer seus comportamentos e motivações e analisar o cenário do modelo no país.

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Uma das principais descobertas foi que Educação é a categoria que as pessoas mais tinham interesse em apoiar projetos. Ao mesmo tempo, também é a categoria que a comunidade achava que mais faltavam projetos relevantes. Já não faltam mais. Depois da circulação do resultado da pesquisa por diversas pessoas, redes e veículos ligados à educação, a categoria passou de 11 projetos em 2013, para 61 em 2014, um crescimento de 454% . A arrecadação saltou de R$ 52 mil para R$ 1,25 milhão.  

Outra categoria que experimentou um aumento significativo no número de projetos neste ano foi Literatura. De 40 projetos em 2013, os livros foram para 112 em 2014, um aumento de 180%. Isso se deve bastante a projetos importantes da categoria e que abriram as trilhas do financiamento coletivo para os escritores e levaram essa ferramenta para cada vez mais autores. Campanhas como da Clara Averbuck, do Daniel e Bianca e do Desnamorados, um livro colaborativo sobre o amor.

Na categoria Jogos, o número de projetos aumentou pouco. Passou de 30 para 34. A grande diferença foi o tamanho da arrecadação total, que dobrou de R$ 500 mil para R$ 1 milhão.   

Ano de recordes

Com um crescimento intenso dos projetos na plataforma, era de se esperar que o 2014 também fosse um ano de recordes. Até a metade do ano, o maior projeto do Catarse era a gravação do DVD da Banda For Fun, que tinha levantado R$ 187 mil em dezembro de 2012. Em julho, o Dead Fish assumiu o recorde ao levantar R$ 260 mil. A nova marca não durou nem três meses e o Mola passou voando para arrecadar R$ 600 mil e se tornar o maior projeto da plataforma. Merecem menção honrosa aqui os jogos A Lenda do Herói (R$ 258 mil), projeto com o maior número de apoiadores (6.111), e Masmorra de Dados (R$ 242 mil). Ambos passaram a arrecadação do antigo recorde do For Fun.

Além dos recordes, 2014 foi um ano de prêmios e reconhecimentos oficiais do impacto produzido em diversas áreas da economia criativa pelos projetos e pela própria plataforma. O Catarse foi contemplado com a maior honraria do quadrinho brasileiro: o Troféu HQMIX. Fomos premiados na categoria Maior Contribuição para o Quadrinho Nacional.

Os Márcio Sequeira, do Mola, e o artevista Mundano, do Pimp my Carroça, ganharam o Prêmio Brasil Criativo, do Ministério da Cultura, nas categorias Design e Artes visuais respectivamente. Mundano também foi escolhido para se tornar um TED Fellow junto com a bióloga Marcela Uliano, do projeto Genoma do Mexilhão Dourado. O dois falaram sobre seus projetos no TED Global que aconteceu no Rio em outubro.

Dois mil e Catarse também foi um ano de conquistas importantes e de uma importante consolidação da comunidade da plataforma, com fortes exemplos de mobilização social. Em setembro, coproduzimos o festival Cocidade, um encontro de iniciativas colaborativas em São Paulo e que reuniu mais de 70 projetos financiados coletivamente em 13 plataformas do Brasil e muitas outras iniciativas.

Antes de julho, quase nada era falado sobre o canabidiol, remédio derivado da maconha que pode beneficiar pessoas com epilepsia, câncer, esclerose múltipla, dores crônicas e outras. O projeto Repense veio ao Catarse para financiar um site e divulgar informações sobre a maconha medicinal e tirá-la do obscurantismo que cerca o tema no Brasil. A mobilização foi tamanha que em alguns meses 240 famílias conseguiram autorização da Anvisa para importar o remédio e agora o Conselho Federal de Mecina liberou os médicos para prescreverem o medicamento.

O projeto Você fiscal, por sua vez, conseguiu organizar uma fiscalização independente das eleições no Brasil, financiada e executada pela sociedade civil. Em testes realizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o professor Diego Aranha, da Unicamp, provou que as urnas eletrônicas brasileiras não são seguras. Para averiguar a possibilidade de erros ou fraudes nas eleições, o Você Fiscal mobilizou milhares de eleitores em todo Brasil que fotografaram e enviaram mais de 20 mil boletins de urnas.

Ano de mudanças

Começamos em 2014 uma série de reformas das páginas do site e adicionamos diversos recursos e novidades à plataforma. Você pode ter um gostinho da nova plataforma na nossa versão de teste: http://beta.catarse.me. As páginas dos projetos já estão responsivas e totalmente adaptáveis a celulares e tablets na versão beta.

Mudamos também o parceiro de pagamento e agora aceitarmos pagamentos parcelados em 3 vezes sem juros para as contribuições acima de R$ 100, além de automatizar os reembolsos para apoiadores e repasses para realizadores direto nas suas contas bancárias. A opção de salvar o número do cartão de crédito tornou mais fácil e rápido ainda apoiar projetos, além de ser totalmente segura.

Criamos recursos como o “seguir categoria”, que te envia toda segunda-feira um e-mail com um compliado dos projetos novos que entraram na categoria que você escolheu seguir. Experimente clicar numa das categorias e você verá o botão de seguir aparecer em cima dos projetos. Adicionamos também o botão “lembrar-me” na página de cada projeto, para que nunca mais você perca o prazo para apoiar uma campanha. Quando você clica ali, te enviamos um e-mail 48 horas antes do encerramento do projeto. Para os realizadores, criamos as métricas de conversão diária, que mostram no painel de edição do projeto quantos apoiadores e o valor recebido pelo projeto dia a dia.  

Ao longo do ano, fizemos um teste de flexibilização de uma regra importante na plataforma. No Catarse, o vídeo de projeto é obrigatório. Sabemos que é uma barreira para muitos realizadores, mas reconhecemos sua importância porque a chance de sucesso aumenta muito com o vídeo. Queríamos entender se isso continuava sendo verdade para os pequenos projetos. Decidimos, então, retirar a exigência do vídeo para projetos até R$ 5.000.

As nossas duas hipóteses estavam corretas: 1- o vídeo é uma barreira para projetos. 2 – o vídeo é uma barreira importante pois aumenta a chance de sucesso do projeto. Desde que a gente liberou a exigência de vídeo em 18 de setembro, entraram no ar 36 campanhas sem vídeo, uma demanda considerável e que mostra que a flexibilização foi importante. Dos 24 que já terminaram a captação, 13 alcançaram a meta. A taxa de sucesso de 54% é mais baixa do que a de 66% dos projetos até R$ 5.000 antes da flexibilização da necessidade do vídeo. Por enquanto, seguimos sem exigir vídeos dos projetos até R$ 5.000.  

Dois mil e quinze desponta no horizonte. Mesmo sem trocadilhos, as nossas expectativas para o próximo ano são igualmente fantásticas. Vamos continuar a crescer, levando a ferramenta do financiamento coletivo para cada ideia criativa no Brasil e seguiremos firme na construção de uma economia mais criativa e de uma cultura de colaboração. Vem!