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Histórias de Projetos

Tormenta 20 e o passo a passo para construir seu próprio mundo de RPG

Você desenha, escreve ou faz qualquer tipo de atividade criativa? Então provavelmente já pensou em criar seu próprio mundo de ficção, com povos, locais e histórias coesos. Muitas vezes, este é o principal trabalho de quem desenvolve uma obra de fantasia ou ficção científica. Imagine, então, criar um mundo cativante a ponto de continuar fazendo novos fãs, mesmo depois de vinte anos de sua primeira publicação! Foi o que fizeram os criadores de Tormenta 20.

Sempre quis desenvolver seu próprio mundo de ficção? Então esse texto é para você.

Em maio de 1999, Marcelo Cassaro, Rogério Saladino e J. M. Trevisan editavam a Dragão Brasil, a maior revista de RPG do país, é publicada até os dias de hoje (tendo mudado das bancas para a internet). Para comemorar a edição 50 da revista, eles decidiram selecionar materiais diversos que haviam sido publicados na revista, reuni-los em um único mundo de ficção e publicar em um encarte simples. Nascia o mundo de Tormenta, que viria a ser publicado por vinte anos ininterruptos e conquistaria dezenas de milhares de fãs.

O que aprendemos com isso? Passos importantes para a criação de um mundo de sucesso:

1. Escolha um tema onde está seu coração

Criar um mundo de ficção não é sobre responder a uma demanda de mercado ou “surfar com a maré” daquilo que vem fazendo mais sucesso na atualidade. Mesmo que esteja desenvolvendo o cenário para um projeto particular e não tenha prazo de entrega, este é um trabalho que pede muito tempo e dedicação. Por isso, é importante que você escolha um tema alinhado com aquilo que você gosta e com as referências que você possui — simplesmente não é saudável passar tanto tempo se dedicando a algo que você não ama.

Os três autores originais de Tormenta são fãs e jogadores de longa data de Dungeons & Dragons, um RPG de fantasia medieval. Um gênero que reúne todos os elementos clássicos que vemos em obras como O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Gelo e Fogo (de Game of Thrones): raças fantásticas, dragões, espadas e magia. Esta foi uma das principais referências que orientou seus trabalhos; aquilo que eles já gostavam de escrever a respeito. Não houve dúvida sobre qual seria o gênero que adotariam quando decidiram propor seu próprio mundo de RPG.

2. Expanda o seu mundo

Cada autor tem um posicionamento a respeito de como desenvolver seu mundo, mas isso pode ser feito basicamente de duas maneiras: partindo do geral para o específico, apresentando primeiro os aspectos principais de toda a ambientação e depois os detalhes mais aprofundados; ou do específico para o geral, começando de um local ou personagem e então expandindo o universo em torno dele. As duas abordagens são interessantes e podem produzir bons resultados.

No caso de Tormenta, o primeiro encarte apresentava em suas oitenta páginas as linhas gerais do mundo e alguns lugares de destaque. O material foi muito bem recebido pelo público da Dragão Brasil, o que acabou levando os criadores a produzirem novas matérias para a revista, aprofundando os detalhes. Não levou muito tempo até que surgissem livros de RPG inteiros e até uma revista própria sobre o cenário, detalhando seus deuses, lugares e figuras emblemáticas.

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3. Conte histórias no seu mundo

Se o objetivo é mostrar ao mundo o que você está criando, um bom meio de fazer isso é colocá-lo para funcionar “na prática”, contando uma história ambientada nele. Você pode escolher um tipo de mídia ou rede social que ajude a divulgar a sua criação e, dessa maneira, fazer com que mais pessoas conheçam o seu mundo por intermédio das narrativas que você cria.

Holy Avenger, um dos quadrinhos brasileiros mais bem-sucedidos da história, premiado nacional e internacionalmente, se passa no mundo de Tormenta. Ele não só fez com que mais pessoas conhecessem o cenário, como ajudou a definir vários dos aspectos que perduram até hoje. E essa foi apenas a primeira grande história. Muitos outros quadrinhos, cinco romances, duas antologias de contos, três livros-jogos e até mesmo jogos de videogame ajudaram a expandir e diversificar o mundo de Tormenta.

4. Encontre alguém que compartilha da sua paixão

Contar histórias ambientadas em seu universo ficcional faz com que as pessoas se sintam dentro dele. Que passem a imaginar as situações que os personagens vivem e a se colocarem nos lugares por onde eles caminham. Isso é muito importante, porque permite que elas criem vínculos emocionais com o seu mundo. Que também se tornem apaixonadas pelo que você criou e que queiram reproduzir os sentimentos bons que tiveram enquanto percorriam estes lugares.

A comunidade de fãs de Tormenta sempre foi muito participativa. Desde o início, pedindo matérias nas páginas da Dragão Brasil, até hoje, quando muitos dos fãs se tornaram autores do cenário e ajudam a desenvolver e criar novos aspectos do mundo — sem contar os infindáveis textos, regras, fanarts e outros conteúdos de qualidade, além das muitas demonstrações de carinho que chegam todos os dias; de cosplayers com trajes de personagens do cenário a até mesmo tatuagens!

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O financiamento coletivo de Tormenta 20

Em 2019, Tormenta está completando 20 anos. Para comemorar esta data emblemática, um novo livro básico do RPG foi lançado via financiamento coletivo, com tudo o que você precisa saber para conhecer este mundo e começar a jogar. Um jogo de imaginação e de contar histórias, em que você pode criar e interpretar um personagem cujas ações realmente impactam no cenário. Este foi o meio encontrado para que todos pudessem fazer parte desta nova fase — tanto os que acompanham desde o início, quanto quem está tendo agora o seu primeiro contato com RPG de mesa.

Participe da campanha, garanta seu exemplar e escreva seu nome na história de Tormenta, um mundo de fantasia totalmente nacional, que é vivo e que continua crescendo. É só ir para a página do projeto no Catarse!

Texto de  colaboradores Tiago Ribeiro, ilustração de Ângelo Bortolini