Financiamento coletivo no Brasil – Blog do Catarse

Histórias de Projetos / Mundo Crowd

#Girlpower – 11 projetos de empoderamento feminino

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Uma pesquisa sobre a participação feminina nas campanhas do Kickstarter, maior plataforma de financiamento coletivo do mundo, traz dados espantosos: das 10 campanhas mais bem-sucedidas da plataforma nenhuma foi idealizada por uma mulher. Os dados ainda apontam a baixa presença do sexo feminino entre os apoiadores recorrentes do site americano. Dos participantes do financiamento coletivo no Brasil, 41% são mulheres e 59% são homens de acordo com a pesquisa Retrato do Financiamento Coletivo no Brasil. Um número um pouco mais animador, mas que ainda assim revela desigualdade.

Infelizmente, esses dados apenas refletem um problema de toda a sociedade: a desigualdade de gêneros. Apesar dos enormes avanços nas últimas décadas, o desequilíbrio entre os sexos ainda é grande em todo o mundo. No Brasil, segundo dados do IBGE, as mulheres têm salários em média 30% menores que os dos homens e o percentual de mulheres no Congresso Nacional não chega aos 10%.

Acreditamos no financiamento coletivo como uma ferramenta que permite abrir espaços para experimentar, discutir e incentivar a importância das mulheres como protagonistas de suas escolhas e suas atitudes. Conheça agora dez exemplos de iniciativas colaborativas que estimulam o empoderamento feminino:

1 – Beleza Real

belezarealA Negahamburguer é uma artista que dedica sua obra as causas de empoderamento das mulheres e combate aos padrões de beleza impostos pela sociedade. No projeto Beleza Real ela transportou o seu trabalho para um livro ilustrado financiado coletivamente. A publicação reúne histórias de mulheres que sofreram algum tipo de discriminação por não se encaixarem nos padrões sociais de beleza. Falamos um pouco mais desse projeto e de outras iniciativas de quebra de estereótipos femininos nesse outro post do blog.

 

2 - I Am What’s Underneath – True Style Is Self Acceptance

whatsunderneath

A proposta do gringo What’s Underneath (“o que há por baixo”, em tradução livre) segue a linha de atuação do projeto Beleza Real e promove a autoaceitação feminina. A ideia é juntar diferentes pessoas que se enxergam de maneira fragilizada, quase sempre mulheres, e entrevistá-las. Em frente a uma câmera elas compartilham suas histórias pessoais e inseguranças e vão despindo suas roupas aos poucos conforme falam e se sentem confiantes. Todo o processo é registrado em um breve vídeo para inspirar outras mulheres. Você pode assistir vários deles no canal do Youtube do StyleLikeYou, proponente do projeto.

3Apartamento 302

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O Catarse hospedou um projeto similar ao What’s Underneath. O Apartamento 302 do fotógrafo Jorge Bispo era uma iniciativa onde ele fotografava mulheres comuns nuas, sem maquiagem e sem embelezamentos típicos de ensaios fotográficos de moda. A ideia é questionar os padrões de beleza e retratar a potência feminina de maneira simples, porém direta. O trabalho que saiu de um Tumblr já virou livro com o projeto de financiamento coletivo e alçou voo na telinha no Canal Brasil.

4GoldieBlox

Mudar esse cenário cruel que distingue gêneros pede trabalhos de base, que começam na infância. Muita gente deve conhecer a Goldie Blox e seu Kit de Brinquedos Para Futuras Engenheiras por causa desse comercial que viralizou em 2013. Mas o que poucos sabem é que o projeto só foi possível por meio de um financiamento coletivo que levantou mais de U$ 285 mil no Tio Kick. O mote da campanha é simples e encantador: meninas não precisam só brincar de “casinha” e se tornarem donas de casa, elas podem ser o que sonharem, inclusive engenheiras.

 5 – A mulher no mercado nacional de quadrinhos

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Mais do que uma ação especifica de empoderamento feminino, o Catarse vem aos poucos auxiliando na transformação do mercado nacional de quadrinhos através de diferentes iniciativas. O setor de HQ’s é mundialmente conhecido por ser pouco amigável às mulheres e por criar narrativas que difundem estereótipos e objetificam o sexo feminino. Para ir na contramão dessa corrente opressora surgiu o Zine XXX, uma coletânea de quadrinhos produzidos exclusivamente por mulheres. As campanhas de financiamento coletivo do 1º Encontro Lady’s Comics – “Transgredindo a representação feminina nos Quadrinhos” e do livro Mulheres Nos Quadrinhos ajudaram a ampliar o debate.

6 – Kiva – Women

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Apesar de não ser exatamente um projeto de financiamento coletivo a Kiva utiliza o poder financeiro das multidões como ferramenta de empoderamento de mulheres e cidadãos marginalizados pela atual ordem global. A organização atua como um banco e intermedia a realização de micro empréstimos para cidadãos de 40 países subdesenvolvidos. Os empréstimos são direcionados para pessoas que não possuem acesso ao sistema bancário convencional. Apesar de ser direcionado para qualquer cidadão de um país subdesenvolvido, a próprio organização estimula que os beneficiados pelos empréstimos sejam mulheres. Segundo dados de 2012, 80,46%  dos empréstimos são direcionados para mulheres empreendedoras, que geralmente vivem em situações sociais frágeis e precisam de estímulo para auto-suficiência. A justificativa, além delas estarem mais expostas a situações de risco social, é a de que as mulheres reinvestem até 80% dos seus ganhos no bem-estar da sua família que a cerca. Ou seja, investir na mulher é uma forma de indireta de investir em seu núcleo familiar.

 

7 – Lammily

Loira, extremamente magra e de olhos azuis. A Barbie ajuda a promover um padrão de beleza ideal entre milhares de meninas ao redor do globo. Um padrão que não faz sentido e tem pouquíssimas conexões com a realidade diversa das mulheres no mundo. Pensando nisso um designer americano recorreu ao financiamento coletivo para criar a Lammily, uma mistura de crítica, brincadeira e releitura da Barbie. O porém é que a boneca é feita num manequim maior que a original e vem acompanhada de adesivos que ilustram espinhas, celulites, estrias entre outros elementos conhecidos entre as adolescentes no mundo inteiro. Lançada em março de 2014 a campanha para viabilizar a fabricação da boneca arrecadou U$ 100 mil em menos de 24 horas.

8 – Chega de Fiu Fiu


A campanha Chega de Fiu Fiu liderada pelo blog Think Olga, lançou uma pesquisa em 2013 após ouvir quase 8 mil mulheres. Entre as participantes, 99% afirmou já ter sofrido alguma forma de assédio sexual. Por meio de um um par de óculos com uma micro câmera escondida, o documentário deseja registrar diversas imagens que ilustrem o abuso sofrido diariamente pelas mulheres nos espaços públicos.

 

9 – Garota Siririca

garota siriricaA Garota Siririca é uma personagem de quadrinhos viciada em masturbação e que por conta disso acaba metendo as amigas nas mais diversas e constrangedoras situações. O projeto tem como objetivo tratar o tema da masturbação feminina com naturalidade e trazer o assunto à tona nas conversas femininas. A autora Lovelove6 acredita que quando conhecemos e nos relacionamos com o nosso corpo, ficamos mais a vontade com ele e nos posicionamos com mais segurança perante o mundo.

 

10 – Girls Rock Camp Brasil

Um acampamento musical de férias voltado para garotas de 7 a 17 anos. Poderia ser a sinopse de um filme da Sessão da Tarde, mas é o Girls Rock Camp Brasil. Durante uma semana as meninas aprendem a tocar um instrumento, formam uma banda, compõe uma música autoral e fazem sua apresentação final. Tudo no melhor espírito libertário que só o Rock’n'roll pode oferecer. Mais do que promover o protagonismo infantojuvenil, a iniciativa estimula a criação de laços de união e afetividade entre as meninas.

 

11 – As Aventuras de Lilith

aventurasdelilithAo buscar um presente para a sua filha o Marcelo Deldebbio percebeu que “todos os brinquedos e livros legais eram para meninos”. Não havia nada voltado para as baixinhas que evocasse os sentimentos de coragem, bravura e independência que ele gostaria de ver na sua filha. Nasceu assim o projeto As Aventuras de Lilith, um livro infantil sobre uma deusa guerreira baseado na mitologia suméria. A ideia é que esse seja o primeiro de uma série de publicações que vão resgatar heroínas mitológicas existentes na história da humanidade, mas que foram aos poucos sendo colocadas de lado em favorecimento das figuras heroicas masculinas.

Bonus Track – Conheça os projetos que estão no ar nesse momento!

Além dos 11 projetos que falamos estão no ar nesse momento três projetos de mulheres empoderadoras e empoderadas que merecem sua atenção e o seu apoio:

Canal DePretas
segue as pretas
A descontraída Gabi Oliveira comanda no Youtube um espaço de acolhimento e representatividade para as minas pretas. São dois vídeos por semana com temáticas de gênero e raça que vão desde dicas de filmes, estética a debates mais complexos como Cotas, Colorismo e Solidão da Mulher Negra. Fortaleça essa história!

Lado M – Use seu poder para o empoderamento

ladoM
O Lado M é um site com uma forma diferente de conteúdo focado no público feminino. Visando uma maior igualdade de gênero, aborda os interesses das mulheres de maneira independente dos estereótipos tradicionais de representação feminina na mídia e despertando novas perspectivas em relação aos interesses das mulheres. A ideia com o Catarse é financiar a produção de ainda mais conteúdos empoderadores.

Livro Coisa de Menina
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Mostre para as crianças que elas podem brincar com o brinquedo que tiverem vontade, vestirem a cor que quiserem, e exercerem a profissão que bem entenderem. Coisa de Menina é um livro voltado para crianças de 3 a 6 anos que empodera meninos e menias a serem o que quiserem e informa sobre o feminismo e a igualdade de gênero através de divertidas ilustrações.


Conhece algum outro projeto de empoderamento feminino que merecia estar na lista? Ficou com alguma dúvida? Deixe um comentário e continuamos esse longo papo por lá ;)