O estúdio brasileiro Ex-Ignorantia revelou novos detalhes de Crow’s Requiem, jogo narrativo ambientado em um mundo pandemicpunk onde a pandemia nunca acabou, e onde cada decisão carrega peso político, moral e emocional. O projeto já conta com demo jogável atualizada na Steam, além de wishlist aberta para quem quer acompanhar a evolução do game.
Ambientado na cidade fictícia de Nova Horizonte, Crow’s Requiem coloca o jogador no papel de um Corvo, um coletor de corpos que, em uma sociedade paralisada pelo medo, pela doença e por ideologias extremas, é ao mesmo tempo evitado, temido e essencial. Livre para circular por zonas interditadas, o protagonista atua como elo involuntário entre facções em conflito, testemunhando histórias pessoais, disputas de poder e diferentes interpretações sobre o colapso do mundo.
Uma narrativa construída a partir da literatura, do RPG e da experiência coletiva
O Corvo atravessa
“A máscara não é para proteger, é para separar.
Na rua vazia, o som mais alto é sempre seu próprio passo. A cidade aprendeu a desconfiar de qualquer presença humana, como se o corpo fosse, por si só, uma ameaça. Portas trancadas. Janelas cobertas. Um silêncio carregado de opinião.
Na alça da bolsa, um peso morto. Nos olhos de quem vê de longe, culpa.
O Corvo caminha onde ninguém caminha. Tem permissão para cruzar barreiras, mas não para existir com dignidade. Ele passa pelos muros como quem atravessa um rito, e deixa para trás o mesmo rastro de sempre: medo, alívio e desprezo.
Em Nova Horizonte, o fim do mundo não foi um evento. Se tornou um costume.
E a doença, aqui, tem várias faces. Algumas respiram.”
Originalmente concebido como um livro escrito por André Osna durante o final da pandemia, Crow’s Requiem se expandiu para um universo transmídia que une quadrinhos, literatura, RPG de mesa e videogame. A cidade de Nova Horizonte já aparecia em romances e materiais de RPG do autor, funcionando como uma espécie de “cidade-anomalia”, um espaço onde diferentes realidades, ideologias e medos coexistem.
Inspirado por obras como A Estrada e Meridiano de Sangue (Cormac McCarthy), Filhos da Esperança (Alfonso Cuarón) e jogos como Dredge, Crow’s Requiem explora temas como:
- escolhas morais em contextos extremos
- solidão e saúde mental em cenários pandêmicos
- conflitos entre sistemas políticos e religiosos
- abuso sistêmico e fé zelote
- a dificuldade de construir pontes em um mundo cada vez mais fragmentado
A narrativa evita respostas fáceis. O mistério central, o que é a doença e por que o mundo chegou a esse ponto, é apresentado por meio de pistas contraditórias, vindas de facções com visões de mundo conflitantes.
Gameplay narrativo com sistemas próprios
Desenvolvido em Unity, Crow’s Requiem aposta em uma estrutura 2D focada em narrativa, com exploração guiada por um mapa em nódulos e pontos de interesse. O jogo utiliza sistemas proprietários criados especificamente para o projeto, como:
- Sistema de Diálogo autoral integrado ao Google Sheets, permitindo flags, tags, ramificações narrativas e localização
- Sistema Signum, baseado no sistema de RPG de mesa utilizado nos jogos da Ex-Ignorantia
- Minigames de facção, que reforçam o papel político do jogador dentro do mundo
Vindo da tradição do RPG de mesa, o elenco de NPCs é construído com intenções claras, pontos de vista próprios e funções narrativas bem definidas. Cada personagem aprofunda o worldbuilding e amplia a compreensão do jogador sobre a cidade e suas camadas de conflito.
Demo atualizada e wishlist já disponível
A demo atualizada de Crow’s Requiem já está disponível no Steam, oferecendo o primeiro contato com Nova Horizonte, suas facções e dilemas morais. Interessados também já podem adicionar o jogo à wishlist para receber novidades e apoiar o projeto.
👉 Saiba mais sobre o projeto aqui!



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