Os dados voltaram a rolar: como Stranger Things apresentou o RPG para novos públicos

Quando Stranger Things estreou em 2016, você imaginava que a série iria impactar tanto? Não me refiro apenas ao envolvimento com a história, ao apego aos personagens ou à espera por cada nova temporada, mas a um impacto maior: o de influenciar comportamentos, estéticas e até hobbies que, popularmente, pareciam restritos a nichos específicos.

O tempo passou e agora, em 2026, dez anos após o lançamento, já está liberado olhar para os efeitos desse marco da cultura pop, né? Fato é que Stranger Things ajudou a reacender o interesse por fichas de personagem, narrativas compartilhadas e encontros presenciais em torno de uma mesa. Então, vamos colocar os dados na mesa e entender como esse impacto se desenha no cenário do RPG e dos jogos analógicos?

Como Stranger Things contribuiu para o retorno do RPG

Não tem como esquecer: o primeiro episódio da série se inicia com quatro garotos em volta de um RPG de mesa, sorrindo, se divertindo e imaginando juntos. Os irmãos Duffer foram sagazes ao escolher esse elemento como linguagem narrativa, assim Stranger Things apresenta o RPG de forma acessível, mesmo para quem nunca teve contato com esse universo.

Essa cena – assim como todas as outras em que o jogo aparece ou é citado – ajuda a sustentar uma hipótese sobre o impacto da série fora da tela. O RPG, por muito tempo visto apenas como um hobby de nicho associado a geeks e nerds, passa a despertar a curiosidade de novos públicos. Em vez de algo técnico ou hermético, o jogo surge ligado à amizade, à imaginação e aos encontros presenciais – valores que extrapolam a narrativa e dialogam diretamente com o cenário atual dos jogos analógicos e com a busca atual por formas de reconexão entre as pessoas.

Para quem gosta de observar o mercado, é nítido que Stranger Things funcionou como um ponto de contato cultural. Ao mostrar pessoas jogando, a série estimula, influencia e atiça a curiosidade para jogos de mesa, fichas e narrativas passam a fazer parte do imaginário coletivo, facilitando a aproximação de pessoas que nunca se sentaram à mesa, mas que passaram a reconhecer o RPG como uma experiência desejável, divertida, estratégica e interessante.

Como o RPG funciona na prática? 

Para quem nunca teve contato, o RPG costuma parecer algo complicado, cheio de regras extensas, manuais e infinitas horas de jogo. Alguns até podem ser assim, mas não é regra! Afinal, Dustin, Will, Mike e Lucas, por volta dos 12 anos, se reuniam para jogar e tinham hora de voltar para casa antes de terem que lidar com monstros e o mundo invertido…

Mas, basicamente, para você que é noob, jogar RPG é construir uma história em conjunto. Cada pessoa interpreta um personagem, enquanto alguém assume o papel de narrador, apresentando cenários e situações. A proposta é coletiva, mas isso não significa que seja necessário um grande grupo. Dependendo dos elementos narrativos e do jogo, dá para jogar em dupla, trio ou com mais pessoas, sempre adaptando a experiência ao tempo e ao interesse de quem participa.

Outro ponto importante é que não existe um único tipo de RPG. Há jogos com regras mais simples ou mais detalhadas, histórias que se resolvem em uma única sessão e campanhas que se estendem por meses. Fantasia, terror, ficção científica, investigação, narrativas mais cotidianas ou até adaptações de filmes e séries: o formato se molda ao grupo e ao tipo de história que se quer contar.

Essa flexibilidade ajuda a explicar por que o RPG voltou a ganhar espaço. Menos engessado e mais aberto, ele se tornou uma forma acessível de reunir pessoas, criar narrativas e compartilhar tempo de qualidade e estar longe das telas. E para quem não tem um jogo em casa ou simplesmente quer experimentar como funciona bares de jogos são espaços dedicados para viver essa experiência, e têm se tornado pontos de encontro cada vez mais comuns, facilitando o primeiro contato com esse universo. Vale muito pena!

🎲 CONFIRA E ESCOLHA O SEU: 5 clubes de RPG para participar

A nostalgia não termina em Hawkins 

Você já terminou de assistir a quinta temporada e está se sentindo órfão? A boa notícia é que essa nostalgia não precisa acabar aqui. Outras produções já exploraram, cada uma do seu jeito, esse universo de jogos, cultura nerd e dinâmicas de grupo, como The Big Bang Theory, Community, The IT Crowd, Freaks and Geeks, Os Goldbergs e Futurama. Fica aqui a indicação, não como substitutas, mas para te reconfortar com temática dentro o mesmo universo.

Agora que você já sabe que jogar RPG é mais simples do que parece – seja em casa, com amigos ou até em bares de jogos – vale também prestar atenção em onde esse movimento acontece. Aqui no Catarse, por exemplo, já passaram diversas campanhas de jogos de mesa e RPGs independentes, além de comunidades que ajudam a aproximar novos jogadores. Ficar de olho no nosso nos projetos recentes e na newsletter é um bom jeito de acompanhar essas iniciativas e descobrir novos projetos.

Além disso, se é conforto que você precisa, posso ser sincera? Difícil imaginar que o impacto de Stranger Things pare por aqui. Assim como os anos 1980 foram revisitados com carinho e filtro afetivo, é bem provável que, daqui a alguns anos, vejamos produções olhando para os anos 2020 com a mesma lógica – transformando hábitos, estéticas e referências do presente em memória cultural. E pode ter certeza, algum elemento da narrativa dos irmãos Duffer vai retornar.

Lorena Camilo
Mestra em Estudos Literários na área de pesquisa Literaturas Modernas e Contemporâneas; e bacharel em Letras em duas ênfases, Estudos sobre Edição com formação complementar em Comunicação Social e em Estudos Literários pela UFMG. É editora, revisora e redatora, além de aficionada por arte e cultura pop.

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O tempo passou e agora, em 2026, dez anos após o lançamento, já está liberado olhar para os efeitos desse marco da cultura pop, né? Fato é que Stranger Things ajudou a reacender o interesse por fichas de personagem, narrativas compartilhadas e encontros presenciais em torno de uma mesa. Então, vamos colocar os dados na mesa e entender como esse impacto se desenha no cenário do RPG e dos jogos analógicos?

Como Stranger Things contribuiu para o retorno do RPG

Não tem como esquecer: o primeiro episódio da série se inicia com quatro garotos em volta de um RPG de mesa, sorrindo, se divertindo e imaginando juntos. Os irmãos Duffer foram sagazes ao escolher esse elemento como linguagem narrativa, assim Stranger Things apresenta o RPG de forma acessível, mesmo para quem nunca teve contato com esse universo.

Essa cena – assim como todas as outras em que o jogo aparece ou é citado – ajuda a sustentar uma hipótese sobre o impacto da série fora da tela. O RPG, por muito tempo visto apenas como um hobby de nicho associado a geeks e nerds, passa a despertar a curiosidade de novos públicos. Em vez de algo técnico ou hermético, o jogo surge ligado à amizade, à imaginação e aos encontros presenciais – valores que extrapolam a narrativa e dialogam diretamente com o cenário atual dos jogos analógicos e com a busca atual por formas de reconexão entre as pessoas.

Para quem gosta de observar o mercado, é nítido que Stranger Things funcionou como um ponto de contato cultural. Ao mostrar pessoas jogando, a série estimula, influencia e atiça a curiosidade para jogos de mesa, fichas e narrativas passam a fazer parte do imaginário coletivo, facilitando a aproximação de pessoas que nunca se sentaram à mesa, mas que passaram a reconhecer o RPG como uma experiência desejável, divertida, estratégica e interessante.

Como o RPG funciona na prática? 

Para quem nunca teve contato, o RPG costuma parecer algo complicado, cheio de regras extensas, manuais e infinitas horas de jogo. Alguns até podem ser assim, mas não é regra! Afinal, Dustin, Will, Mike e Lucas, por volta dos 12 anos, se reuniam para jogar e tinham hora de voltar para casa antes de terem que lidar com monstros e o mundo invertido…

Mas, basicamente, para você que é noob, jogar RPG é construir uma história em conjunto. Cada pessoa interpreta um personagem, enquanto alguém assume o papel de narrador, apresentando cenários e situações. A proposta é coletiva, mas isso não significa que seja necessário um grande grupo. Dependendo dos elementos narrativos e do jogo, dá para jogar em dupla, trio ou com mais pessoas, sempre adaptando a experiência ao tempo e ao interesse de quem participa.

Outro ponto importante é que não existe um único tipo de RPG. Há jogos com regras mais simples ou mais detalhadas, histórias que se resolvem em uma única sessão e campanhas que se estendem por meses. Fantasia, terror, ficção científica, investigação, narrativas mais cotidianas ou até adaptações de filmes e séries: o formato se molda ao grupo e ao tipo de história que se quer contar.

Essa flexibilidade ajuda a explicar por que o RPG voltou a ganhar espaço. Menos engessado e mais aberto, ele se tornou uma forma acessível de reunir pessoas, criar narrativas e compartilhar tempo de qualidade e estar longe das telas. E para quem não tem um jogo em casa ou simplesmente quer experimentar como funciona bares de jogos são espaços dedicados para viver essa experiência, e têm se tornado pontos de encontro cada vez mais comuns, facilitando o primeiro contato com esse universo. Vale muito pena!

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Agora que você já sabe que jogar RPG é mais simples do que parece – seja em casa, com amigos ou até em bares de jogos – vale também prestar atenção em onde esse movimento acontece. Aqui no Catarse, por exemplo, já passaram diversas campanhas de jogos de mesa e RPGs independentes, além de comunidades que ajudam a aproximar novos jogadores. Ficar de olho no nosso nos projetos recentes e na newsletter é um bom jeito de acompanhar essas iniciativas e descobrir novos projetos.

Além disso, se é conforto que você precisa, posso ser sincera? Difícil imaginar que o impacto de Stranger Things pare por aqui. Assim como os anos 1980 foram revisitados com carinho e filtro afetivo, é bem provável que, daqui a alguns anos, vejamos produções olhando para os anos 2020 com a mesma lógica – transformando hábitos, estéticas e referências do presente em memória cultural. E pode ter certeza, algum elemento da narrativa dos irmãos Duffer vai retornar.

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