Como 36 pessoas mudaram o sistema de transporte de uma cidade inteira

hackbike 7406

O espaço público das cidades está em constante disputa não apenas entre uma infinidade de grupos de interesse, mas também com a própria burocracia e ineficácia do poder público. Contra a morosidade da prefeitura e a apatia da câmara dos vereadores, o movimento cicloativista de Jundiaí (SP) foi de financiamento coletivo. Essa é a história de como poucas pessoas juntas se tornaram fortes o suficiente para mudar o sistema de transporte de uma cidade inteira.  

O projeto Hackbike 7406 foi criado para financiar e instalar um bicicletário no centro da cidade. A ideia da campanha era mostrar ao poder público como é fácil fazer valer a lei 7406 de 2010, que estabelece a obrigatoriedade de bicicletários em locais muito movimentados, mas que ainda não saiu do papel.

A meta da campanha era de R$ 200 para financiar um simples bicicletário como forma de simbolizar o pontapé inicial para a construção de uma rede de estacionamentos para as magrelas. Com a colaboração de 36 pessoas, levantaram mais de R$ 2.000, quantia suficiente para a produção de 18 bicicletários.

No último dia 13 de dezembro, o grupo instalou o primeiro bicicletário, oficializou a doação do equipamento para a prefeitura e pediu autorização para instalar o restante. A ideia de mostrar que o cumprimento da lei é fácil e barato deu tão certo que a associação comercial do município abraçou a campanha. A instituição apoiará o projeto com R$ 15 mil para a produção de mais de uma centena de bicicletários.

Com esse dinheiro será possível equipar todo o centro, além de todos os terminais de ônibus do Sistema Integrado de Transporte Urbano de Jundiaí. Isso significa tirar do papel o primeiro projeto de transporte intermodal da cidade, unindo diferentes meios e tornando o sistema mais eficiente.

Os bicicletários nos terminais permitirão, por exemplo, que as pessoas pedalem de suas casas até os pontos. Uma boa alternativa para quem faz trajetos mais longos e não quer esperar o ônibus do bairro, bem menos frequente. Agora, essas pessoas poderão ir de bicicleta para terminais mais distantes e de mais movimento para pegar o ônibus.

Além de um benefício inestimável para toda a população de Jundiaí, o legado desse pequeno-grande projeto é o aprendizado de que o financiamento coletivo é uma ferramenta para a prototipação de intervenções urbanas que podem catalisar transformações e influenciar de maneira positiva as ações governamentais.

Aproveite a inspiração do Hackbike 7406 para conhecer e apoiar outro projeto de intervenção urbana. O casaBerta é uma cobertura leve e de montagem rápida que serve de abrigo para atividades desenvolvidas em conjunto com as pessoas que usam ou poderiam usar os espaços públicos onde for montada. A ideia é ser um ativador de espaços públicos.

Foto de capa do post por Gustavo Koch
Felipe Caruso
Missionário do coletivismo e jornalista com doses de poesia, ceticismo e pragmatismo

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O espaço público das cidades está em constante disputa não apenas entre uma infinidade de grupos de interesse, mas também com a própria burocracia e ineficácia do poder público. Contra a morosidade da prefeitura e a apatia da câmara dos vereadores, o movimento cicloativista de Jundiaí (SP) foi de financiamento coletivo. Essa é a história de como poucas pessoas juntas se tornaram fortes o suficiente para mudar o sistema de transporte de uma cidade inteira.  

O projeto Hackbike 7406 foi criado para financiar e instalar um bicicletário no centro da cidade. A ideia da campanha era mostrar ao poder público como é fácil fazer valer a lei 7406 de 2010, que estabelece a obrigatoriedade de bicicletários em locais muito movimentados, mas que ainda não saiu do papel.

A meta da campanha era de R$ 200 para financiar um simples bicicletário como forma de simbolizar o pontapé inicial para a construção de uma rede de estacionamentos para as magrelas. Com a colaboração de 36 pessoas, levantaram mais de R$ 2.000, quantia suficiente para a produção de 18 bicicletários.

No último dia 13 de dezembro, o grupo instalou o primeiro bicicletário, oficializou a doação do equipamento para a prefeitura e pediu autorização para instalar o restante. A ideia de mostrar que o cumprimento da lei é fácil e barato deu tão certo que a associação comercial do município abraçou a campanha. A instituição apoiará o projeto com R$ 15 mil para a produção de mais de uma centena de bicicletários.

Com esse dinheiro será possível equipar todo o centro, além de todos os terminais de ônibus do Sistema Integrado de Transporte Urbano de Jundiaí. Isso significa tirar do papel o primeiro projeto de transporte intermodal da cidade, unindo diferentes meios e tornando o sistema mais eficiente.

Os bicicletários nos terminais permitirão, por exemplo, que as pessoas pedalem de suas casas até os pontos. Uma boa alternativa para quem faz trajetos mais longos e não quer esperar o ônibus do bairro, bem menos frequente. Agora, essas pessoas poderão ir de bicicleta para terminais mais distantes e de mais movimento para pegar o ônibus.

Além de um benefício inestimável para toda a população de Jundiaí, o legado desse pequeno-grande projeto é o aprendizado de que o financiamento coletivo é uma ferramenta para a prototipação de intervenções urbanas que podem catalisar transformações e influenciar de maneira positiva as ações governamentais.

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