Criatividade e arte na pandemia

O vale-compras é a arma da loja El Cabriton para lutar contra a COVID-19

Mas tudo mudou em março com o seu fechamento, em acordo às medidas de quarentena contra a pandemia do novo Coronavírus. Uma crise que afetou drasticamente toda a cadeia produtiva – e criativa – do mundo, principalmente pelo cenário de incerteza surgido da noite para o dia.

El Cabriton em noite de fervo com o público

De porta fechada, mas mente aberta

Loja sem previsão de retorno. Risco de perdas permanentes. O que fazer? Talvez faltassem as palavras, mas não a força para agir. Pois foi recordando o seu histórico com a coletividade, que a El Cabriton encontrou no universo do crowdfunding uma saída para amenizar os seus problemas.

Já veterana do financiamento coletivo com quatro campanhas bem-sucedidas para o Projeto 54 (série de baralhos customizados por centenas de artistas independentes), que arrecadou mais de R$ 92 mil com 1334 apoios, a loja viu no formato uma oportunidade para seguir trabalhando, movimentar o seu fluxo de caixa e garantir suas populares camisetas e demais produtos aos clientes. Na nova campanha, El Cabriton VS Corona, lançada no dia 18.03 e que segue em financiamento no Catarse , é possível adquirir vale-compras com descontos, que podem ser usados agora no site ou no futuro, após a normalização do cenário pandêmico. Até a publicação deste texto, pouco mais de R$ 21 mil já foram arrecadados (70% da meta), com a ajuda de 176 apoios.

Campanha da El Cabriton no Catarse

Experiência camaleônica

O que a El Cabriton fez não representa a resposta definitiva para a crise enfrentada por ela. Porém, em um mundo que passa por mudanças significativas na forma de produção de bens materiais e culturais, pode ser a chance para a construção de novas pontes, conteúdos e formas de trabalho. Inclusive, a campanha já inspira Leandro e Erica a pensarem sobre outras experiências dentro do crowdfunding, como a expansão do Projeto Fachada, que desde o primeiro mês de funcionamento da loja customiza sua frente por diferentes artistas. Uma ideia que já apresenta mais de 130 camadas de tinta e boas histórias e pensa na oportunidade de chegar a outras lojas, ruas e bairros.

Mas além de tudo isso, a campanha mostrou como as ideias que chegam ao financiamento coletivo são fortalecidas por um elemento fundamental: pessoas. Com a ajuda de amigos e de toda a comunidade em volta para apoios e divulgação, os donos perceberam o quanto a El Cabriton é importante para muitas pessoas, que não apenas curtem os seus produtos, mas que também veem ali uma importante agitadora cultural.

O Projeto Fachada revela artistas há mais de 10 anos

Uma ideia na gaveta

Por fim, o futuro é completamente incerto. Mas nem por isso abaixamos a cabeça, apenas esperando o tempo passar. Ele vai, de uma forma ou de outra. Mas também trará mudanças significativas. E para todos que pensam que agora é o momento de agir: vocês estão completamente certos. E já para quem continua na dúvida, o Leandro resumiu não só o objetivo deste texto, como também de todo Catarse frente àqueles que ainda não acharam sua luz em meio à escuridão:

“Acho que todo criativo tem, pelo menos, uma ideia menos comercial e mais louca, que sempre foi a fim de fazer, mas não nunca teve o tempo e/ou coragem para isso. Acredito que seremos obrigados a testar coisas novas e essas ideias guardadas nas gavetas vão reaparecer. Um futuro próximo com novos produtos, sons, artes. A vida cotidiana é um local meio inóspito para a criação. Se tem um lado bom do caos é que nele surgem as ideias realmente impactantes”.

Que assim seja!

Leandro, Erica e a pequena Cecilia

E se você tem uma ideia criativa, seja para salvar o seu negócio ou ajudar pessoas/famílias/lugares em necessidade, crie sua campanha aqui embaixo e tire-a do papel. Com a Catarse Solidária, queremos ajudar todos os projetos que combatem as consequências da COVID-19, da melhor forma possível. Juntos poderemos mudar esse jogo!

Leandro Saioneti
Jornalista e bom vivant dos paranauês da comunicação, sonhava em ter uma banca de jornal quando criança. Trocou o desejo impresso para compartilhar cultura na internet.

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