Uma jornada bordada a várias mãos

Com coleção interrompida, feiras adiadas e estoque parado, Projeto Fio encontrou no financiamento coletivo novos caminhos para sua criatividade

Então, o que fazer frente a essa realidade? Ora, reescrever a sua própria.

Foi o que as designers de moda Olívia e Marina, e a designer de produto Ana Luiza, fizeram após darem adeus à grande indústria da moda e ressignificarem o seu talento profissional na capacitação e valorização de mulheres que criam uma peça de roupa e deixam parte de sua identidade em cada ponto do bordado. Foi assim que nasceu, no Rio de Janeiro, o Projeto Fio.

O que começou há dois anos com aulas semanais capacitando mulheres no bordado através de arte-terapia, nas comunidades da Maré e da Tijuquinha, transformou-se em uma marca própria com mais de 1600 peças já produzidas de forma artesanal e muitas profissionais formadas no ofício. Um projeto que gera renda a essas trabalhadoras e permite a sustentabilidade do Fio na profissionalização de mais mulheres e no fortalecimento de seus caminhos.

Bordadeiras e suas histórias (do alto, da esq. para dir.): Cátia, Georgina, Helenita, Francisca, Marina, Priscila, Hilda, Lucélia, Bruna, Eveline, Cerlene e Catia (Acervo Fio)

Mas como toda história sempre está submetida aos reveses do mundo, quiseram que este ficasse de ponta cabeça em meio a uma pandemia. Aulas de capacitação canceladas. Nova coleção interrompida. Feiras adiadas. Estoque parado. Renda em completo risco. Um cenário incerto que colocava em xeque mais uma jornada de realização. Mas também, um cenário que mostrava a capacidade de encontrarmos força em novas trilhas, entre as possibilidades mais adversas.

Reescrever a própria realidade, lembra?

Assim, a campanha de financiamento coletivo Projeto Fio Covid-19 deu as caras. Um processo focado na manutenção da marca e do projeto, na geração de renda para as bordadeiras e na proteção absoluta dessa rede de afeto entre mulheres que, mesmo dentro de casa, ainda têm muitas histórias para contar.

De modo prático, a campanha não apenas soube comunicar de forma planejada, sensível e humana a história do Fio e os elementos intrínsecos ao seu DNA, como soube também administrar as recompensas da campanha em benefício de sua própria condição. Pois com o estoque parado, Olivia, Marina, Ana Luiza e Letícia (que entrou ano passado ao time e já é parte fundamental dessa história) oferecem peças já produzidas entre as recompensas, a um preço reduzido em quase 50% (integrando o processo de compra ao próprio site, projetofio.com). Uma forma de garantir o giro de estoque, a renda para as trabalhadoras e o alicerce para o desenvolvimento futuro da próxima coleção.

Peças com identidade e que ressignificam suas criadoras: estas são as trilhas do Projeto Fio

E com muito afeto e recompensas que também contam com rifas para sorteio, kits para bordado e oficinas de bordado online e presencial (quando for seguro), a campanha já arrecadou mais de R$ 40 mil reais, através de 229 apoios, com quase todas as peças vendidas. Uma história bonita demais frente a tantas narrativas agora incompletas, que reforça o valor de cada pessoa na luta contra um mal invisível.

Tudo que nos envolve tem uma história para contar, sabia? Então, caso queira descobrir mais sobre a história do projeto no Catarse e apoiar essa jornada, basta clicar aqui. Mas também, fica o nosso convite para que conheça outras histórias. Histórias de mulheres incríveis que encontraram no bordado novos caminhos, chances, sonhos. Por isso, queremos que você conheça Alda, Ana, Antonia, Bruna, Cátia, Catia, Cerlene, Eveline, Francisca, Georgina, Helenita, Hilda, Lucélia, Priscila, Marina, Rosa, Rosita, Rosemar, Sandra, Suzana, Suely e Vera.

Pode ter certeza: essas mulheres ainda têm muitas histórias para contar – e bordar.

Campanha do Projeto Fio no Catarse (Reprodução)

E se você também deseja seguir novos caminhos contra a pandemia, dentro do financiamento coletivo, a Catarse Solidária segue para dar todo o suporte necessário. Comece sua campanha clicando aqui embaixo e vamos juntos fortalecer essa rede de generosidade e inovação.

Leandro Saioneti
Jornalista e bom vivant dos paranauês da comunicação, sonhava em ter uma banca de jornal quando criança. Trocou o desejo impresso para compartilhar cultura na internet.

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