Se você ama ler, sonha em compartilhar essa paixão com outras pessoas e gostaria de complementar sua renda com uma paixão, 2026 é o ano perfeito para tirar a ideia do papel e criar o seu próprio clube do livro. Mais do que uma simples reunião para discutir histórias, os clubes de leitura representam uma forma genuína de conexão humana, pautada pela arte, em um mundo cada vez mais mediado por telas, máquinas e algoritmos.
No Catarse, temos acompanhado de perto o crescimento dessa tendência na comunidade criativa. Criadores de conteúdo literário têm encontrado nos clubes de leitura uma maneira de fortalecer laços com seus leitores, construir comunidades engajadas e criar fontes de renda sustentáveis. Se você ainda está em dúvida se deve começar o seu, reunimos cinco motivos para criar um clube do livro em 2026!
1. A leitura como forma de conexão e interação
Ler, muitas vezes, pode acabar parecendo uma experiência solitária. Entretanto, dividir uma experiência de leitura pode transformar um ato solitário em conexão e aprendizado. Afinal, quem nunca se viu imerso em uma história e queria compartilhar o momento com alguém? Além disso, a leitura também se mostra como uma ferramenta fundamental para criar empatia e alteridade.
Como bem coloca Mayra Sigwalt no texto "A leitura como forma de expandir horizontes", "ler o outro, não apenas sobre o outro, mas através do olhar do outro, nos possibilita uma vivência além da nossa individualidade, dos nossos contextos. Não que o papel da literatura seja esse, mas acredito que podemos considerar um bônus entrar em uma história e sair dela com uma nova visão do mundo. Um mundo mais rico, menos preto e branco."
Quando criamos um clube do livro, estamos abrindo espaço para que pessoas com interesses em comum se encontrem, troquem ideias e construam vínculos reais. As próprias diferenças e experiências subjetivas se tornam acréscimos riquíssimos em discussões que nos fazem refletir para além da nossa própria realidade. Em um clube de leitura, cada participante traz sua própria perspectiva sobre a história, seus próprios gatilhos emocionais e interpretações únicas. Essa diversidade de olhares enriquece a experiência de leitura e cria um senso de pertencimento que vai muito além das páginas do livro.
Como também destaca Mayra Sigwalt: "a literatura existe para nos encantar, nos divertir, nos fazer pensar e pode ser uma maravilhosa ferramenta de transformação social. O livro pode ser o espaço de conhecer o outro ou de conhecermos a nós mesmos. Uma história poderosa pode nos entregar os tijolos que precisamos para construirmos novos mundos. É realmente mágico o que um livro pode fazer. Então se quisermos fazer parte disso, cabe a nós encontrarmos esses livros. Mas não precisamos fazer isso sozinhos."
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2. Conexão e profundidade nas conversas
Quantas vezes você terminou um livro e ficou com vontade de conversar sobre ele com alguém, teorizar desfechos e exaltar personagens icônicos? Muitos leitores e criadores de conteúdo buscam formas de falar sobre seus livros favoritos, mas encontram barreiras para fazer isso de forma extensa e substancial. Os clubes de leitura proporcionam exatamente isso: conversas profundas, reflexivas e significativas sobre temas que realmente importam, sem a mediação de redes sociais ou limite de caracteres.
O relatório "Vem aí na Creator Economy 2026", da YouPix, aponta uma mudança fundamental no consumo de conteúdo: "Ao mesmo tempo, estudos que unem ciência da atenção e Creator Economy mostram que profundidade, contexto e coerência têm mais impacto na memória e na intenção de compra do que estímulo bruto, como analisa a Billups. Ou seja: o que gruda não é o conteúdo que grita, é o conteúdo que faz sentido. Em 2026, a reorganização é inevitável: conversas mais próximas, comunidades fortes, conteúdo como lugar de aproximação, não de saturação."
Diferente de interações superficiais que costumamos ter nas redes sociais, os clubes criam um ambiente onde é possível mergulhar de verdade nas questões levantadas pelos livros. São espaços seguros para debater ideias complexas, questionar narrativas e explorar diferentes pontos de vista com tempo e atenção.
Em seu texto, Mayra Sigwalt reforça essa ideia ao afirmar que: "clubes de leitura não só nos apresentam uma curadoria bem pensada, mas a possibilidade de discutir com outras pessoas a interpretação individual de cada texto. Num mundo em que cada vez mais as mídias precisam ser mastigadas, que os finais precisam ser "explicados"; o movimento de confiar na sua própria interpretação e não se preocupar qual é a maneira "certa" de se entender um livro, é um exercício magnífico. E dividir o seu ponto de vista e discuti-lo de forma construtiva com o outro é uma das formas mais interessantes de se interagir com a literatura. Afinal, o livro é arte que começa no autor, mas termina no leitor."
Além disso, como bem explicado por Nino Cavalcante no texto "A importância de consumir narrativas trans para além de janeiro", a literatura cumpre também o papel fundamental de apresentar possibilidades de existência a quem nunca teve acesso a elas.
Clubes do livro também fortalecem o protagonismo de histórias, autores e temáticas que acabam perdendo destaque em um cenário muito comercial e mainstream. Segundo Nino, "quando um influenciador analisa a técnica, a estética e o impacto político de um livro escrito por uma pessoa trans, ele ajuda a retirar essa obra do lugar de "curiosidade" e a posiciona como literatura essencial para a formação do pensamento crítico".

3. Formar e fortalecer comunidades
Criar um clube do livro é, essencialmente, criar uma comunidade. E comunidades fortes são construídas em torno de valores compartilhados, interesses genuínos, propósitos claros, histórias escritas em conjunto. Além disso, como já falamos no texto "O fim da era dos seguidores e por que você deve formar uma comunidade", se antes os números de seguidores eram um indicador-chave de sucesso, agora a construção de comunidades engajadas é o diferencial que pode, inclusive, se apresentar como uma forma de sustento para criadores.
O relatório da YouPix é categórico sobre essa mudança de paradigma ao afirmar que: "pequenas comunidades ganham prioridade sobre audiência de massa. Rituais, fóruns, grupos fechados e encontros ao vivo para sustentar laço, não só alcance. Conexão profunda vira motor de venda, defesa e inovação contínua."
Ao reunir pessoas que amam ler e querem compartilhar essa paixão, você está plantando as sementes de algo maior. Com o tempo, esses encontros em torno dos livros podem se transformar em redes de apoio mútuo, amizades duradouras e até mesmo em colaborações criativas. Sem contar que, fazer parte de um clube de leitura, especialmente via financiamento coletivo, é também um ato de apoio direto a quem luta para transformar o amor pelos livros em um trabalho sustentável.
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Ainda segundo a YouPix: "o valor não está mais na aula, está na rede que aprende junto. Comunidades formativas (grupos, rituais, prática e feedback) viram motor. A sala de aula muda de endereço: do feed para o círculo. O networking constante é necessário." No Catarse, acreditamos no poder das comunidades para transformar ideias em realidade, e os clubes de leitura são a prova viva desse potencial.
4. Fuja dos algoritmos
Em 2026, mais do que nunca, precisamos criar espaços que não sejam ditados por algoritmos. E os números comprovam o desgaste das redes sociais tradicionais: segundo uma pesquisa do Social Insider citada no relatório "Vem aí na Creator Economy 2026", o engajamento no Instagram caiu em 28% em apenas um ano.
As grandes plataformas de tecnologia decidem o que vemos, quando vemos e como interagimos online. Nos clubes de leitura, quem decide o que será lido, discutido e valorizado é a própria comunidade.
Essa independência é libertadora. Você não precisa perseguir métricas de engajamento, adaptar seu conteúdo para agradar um algoritmo invisível ou competir por atenção em um feed infinito. O clube é seu, da sua comunidade, e funciona no ritmo e nos termos que vocês definirem juntos. É uma forma de resistência criativa e de construção de espaços mais humanos na internet.
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5. Renda extra, estável e previsível
Além de todos os benefícios emocionais e comunitários, criar um clube do livro pode ser também uma fonte de renda sustentável. O relatório da YouPix revela uma transformação profunda na economia criativa: "Criadores deixam de viver "da publi" e passam a viver de comunidade, de dados e de ativos próprios. Marcas nativas digitais, produtos autorais, eventos, mídia proprietária. O creator não é mais o fim da campanha, é o início do ecossistema."
Muitos criadores têm encontrado espaço para seus clubes em projetos de financiamento recorrentes, como assinaturas onde os membros contribuem mensalmente para ter acesso aos encontros, materiais exclusivos e outras vantagens. Essa modalidade oferece previsibilidade financeira, permitindo que você planeje melhor seus projetos e invista mais tempo na curadoria de leituras, na busca por histórias incríveis para apresentar para a sua comunidade, na facilitação dos encontros e na manutenção do trabalho criativo como ofício. É uma maneira de valorizar o trabalho criativo e educativo que você realiza, ao mesmo tempo em que constrói algo verdadeiramente significativo para sua comunidade.
2026 é o ano de criar o seu clube do livro
Se você chegou até aqui, provavelmente já está imaginando como seria o seu clube de leitura. Que tipo de livros vocês leriam? Quem faria parte dessa comunidade? Como seriam os encontros?
No Catarse, você encontra as ferramentas para transformar essa ideia em realidade. Aqui, criadores de todo o Brasil têm construído clubes de leitura vibrantes, comunidades literárias engajadas e fontes de renda sustentáveis através do financiamento recorrente. E o melhor: tudo isso sem depender de algoritmos ou de plataformas que não valorizam o trabalho criativo. Se precisar de algumas ideias, conheça 10 clubes do livro para todos os gostos literários.
Que tal começar hoje mesmo a planejar o seu clube? A sua comunidade está esperando por você.





